O grupo japonês Fuji Media enfrenta um início de 2025 conturbado, com sua reputação abalada por um escândalo de assédio sexual envolvendo um de seus apresentadores mais conhecidos, Masahiro Nakai. O caso, que veio à tona em dezembro, resultou na saída do apresentador e na renúncia de altos executivos. A empresa, que já era uma […]
O grupo japonês Fuji Media enfrenta um início de 2025 conturbado, com sua reputação abalada por um escândalo de assédio sexual envolvendo um de seus apresentadores mais conhecidos, Masahiro Nakai. O caso, que veio à tona em dezembro, resultou na saída do apresentador e na renúncia de altos executivos. A empresa, que já era uma das principais emissoras do Japão, viu anunciantes se afastarem e reduziu suas previsões de lucros, tornando-se um símbolo de disfunção corporativa.
Apesar do cenário negativo, as ações da Fuji Media dispararam 45% neste ano, surpreendendo analistas. Investidores enxergam uma oportunidade no caos, especialmente devido ao valioso portfólio imobiliário da empresa em Tóquio e Osaka. Richard Kaye, da Comgest Asset Management, destacou que a expectativa de mudanças na administração gera otimismo entre os acionistas. A empresa anunciou a criação de uma comissão independente para investigar o caso, com um relatório previsto para março.
A Rising Sun Management, assessora do Nippon Active Value Fund, criticou a gestão da crise pela Fuji Media, chamando a primeira coletiva de imprensa de “um verdadeiro desastre”. O fundo, que é um dos maiores acionistas da empresa, pediu a renúncia de Hisashi Hieda, membro do Conselho de Administração. A pressão de investidores ativistas no Japão tem crescido, com recordes de investimento no setor, que inclui o imobiliário, onde a Fuji Media possui diversos ativos.
A empresa, conhecida por sua sede icônica em Odaiba, também detém prédios comerciais, hotéis e centros logísticos. A especulação sobre a venda de parte de seu portfólio para financiar recompra de ações e pagamento de dividendos tem aumentado, especialmente considerando que suas ações estão subavaliadas em relação ao mercado. A Fuji Media, protegida de investidores estrangeiros por legislação local, pode estar à beira de uma transformação significativa, caso a pressão por mudanças na gestão se intensifique.
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