A recente decisão do presidente Donald Trump de impor tarifas adicionais de 10% sobre importações da China impacta principalmente o setor automotivo dos Estados Unidos. Embora o número de veículos afetados seja pequeno, as tarifas também incidem sobre peças automotivas, o que pode elevar os preços dos veículos para os consumidores. Nos últimos anos, os […]
A recente decisão do presidente Donald Trump de impor tarifas adicionais de 10% sobre importações da China impacta principalmente o setor automotivo dos Estados Unidos. Embora o número de veículos afetados seja pequeno, as tarifas também incidem sobre peças automotivas, o que pode elevar os preços dos veículos para os consumidores. Nos últimos anos, os EUA importaram entre R$ 15,4 bilhões e R$ 17,5 bilhões em bens de transporte da China, incluindo de R$ 9 bilhões a R$ 10 bilhões em peças e acessórios para veículos. Os modelos mais impactados são o Lincoln Nautilus da Ford e o Buick Envision da GM, que juntos representaram 95% dos veículos fabricados na China vendidos nos EUA em 2024.
Jeff Schuster, vice-presidente da GlobalData, destacou que Ford e GM são as montadoras mais afetadas em termos de volume. Outras fabricantes, como a Volvo, que pertence à Geely, já reduziram a importação de veículos da China, especialmente os elétricos, após a imposição de tarifas de 100% sobre esses modelos. A participação dos veículos fabricados na China no mercado americano foi de apenas 0,6% em 2024, semelhante à de importações do Reino Unido, Suécia e Eslováquia. Em contraste, as tarifas sobre veículos do México e Canadá teriam um impacto muito maior, dado que esses países representaram 23,4% das vendas nos EUA.
O analista da Goldman Sachs, Mark Delaney, observou que, embora as importações de veículos da China sejam mínimas, as de peças automotivas são significativas, variando entre R$ 15 bilhões e R$ 20 bilhões anualmente. A incerteza sobre o impacto das tarifas em baterias e matérias-primas para veículos elétricos persiste, especialmente considerando que muitos modelos elétricos nos EUA contêm componentes significativos da China. Mike Jackson, da MEMA, expressou preocupação com o aumento de custos que as tarifas podem trazer, ressaltando que a China é uma fonte valiosa de componentes eletrônicos.
Jim Farley, CEO da Ford, criticou a falta de uma abordagem abrangente nas tarifas, apontando que montadoras como Toyota e Hyundai importam grandes volumes de veículos com tarifas mínimas. Ele argumentou que, se as tarifas forem implementadas, devem ser aplicadas de forma equitativa a todos os países, não apenas à China. Em 2024, 46,6% dos veículos vendidos nos EUA foram produzidos fora do país, com o México liderando as importações, seguido por Coreia do Sul e Japão. Farley enfatizou que a política tarifária deve ser justa para não favorecer concorrentes importadores.
Entre na conversa da comunidade