A poucos momentos antes de o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, anunciar uma pausa de 30 dias na ameaça de tarifas de 25% do presidente dos EUA, Donald Trump, o cofundador da Martinrea International, uma das maiores fabricantes de autopeças do Canadá, expressou sua perplexidade. Rob Wildeboer, presidente executivo da empresa, destacou a importância do comércio […]
A poucos momentos antes de o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, anunciar uma pausa de 30 dias na ameaça de tarifas de 25% do presidente dos EUA, Donald Trump, o cofundador da Martinrea International, uma das maiores fabricantes de autopeças do Canadá, expressou sua perplexidade. Rob Wildeboer, presidente executivo da empresa, destacou a importância do comércio entre os dois países, afirmando que “não conheço ninguém na nossa empresa que queira tarifas entre Canadá e EUA”. A Martinrea, que emprega cerca de 19 mil pessoas, fabrica peças para grandes montadoras como Volvo, Stellantis e Ford.
O comércio entre Canadá e Estados Unidos é significativo, com exportações e importações totalizando quase um trilhão de dólares por ano. O superávit comercial canadense é de aproximadamente R$ 40 bilhões. Wildeboer contestou a afirmação de Trump sobre um suposto déficit comercial de US$ 200 a 250 bilhões, argumentando que, ao excluir o petróleo barato, os EUA na verdade têm um superávit. Ele também ressaltou que o Canadá é o maior comprador de produtos americanos, o que reforça a necessidade de manter boas relações comerciais.
Os trabalhadores da Martinrea expressaram confiança na resposta do governo canadense, que ameaçou tarifas recíprocas contra produtos americanos. Sultan Egebesci, funcionária da empresa, mencionou sua preocupação com a possibilidade de uma guerra comercial, mas se mostrou otimista sobre a união dos canadenses. Outros funcionários, como Naitik Jariwalla, também manifestaram apreensão quanto à segurança no emprego, mas acreditam que o governo está tomando as medidas corretas para enfrentar a situação.
Embora a Martinrea tenha raízes canadenses, Wildeboer observou que a empresa emprega o dobro de pessoas nos EUA, especialmente em Michigan, onde Trump teve uma vitória apertada em 2024. Ele reconheceu que muitos funcionários apreciam a mensagem de Trump sobre economia e empregos, mas alertou que as tarifas podem resultar em inflação mais alta e menos empregos. Trudeau, por sua vez, focou em investimentos em segurança nas fronteiras e na mitigação do tráfico de fentanil, um tema que Trump enfatizou, apesar de menos de 1% do fentanil nos EUA vir do Canadá.
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