A Porsche enfrenta desafios significativos em relação às metas estabelecidas durante sua oferta pública inicial (IPO) há dois anos, com custos crescentes e uma avaliação errônea do interesse do mercado por carros esportivos elétricos. A margem de lucro da empresa, que deveria ser de 20%, deve cair para 10% em 2024. As ações da montadora […]
A Porsche enfrenta desafios significativos em relação às metas estabelecidas durante sua oferta pública inicial (IPO) há dois anos, com custos crescentes e uma avaliação errônea do interesse do mercado por carros esportivos elétricos. A margem de lucro da empresa, que deveria ser de 20%, deve cair para 10% em 2024. As ações da montadora caíram 8% na última sexta-feira (7), atingindo um novo mínimo desde a IPO, o que gerou preocupações sobre a “acentuada deterioração” das perspectivas, conforme apontou o analista Stephen Reitman, da Bernstein.
O valor de mercado da Porsche, atualmente em 50 bilhões de euros, representa menos da metade do que era em maio de 2023. Essa queda pressiona o CEO Oliver Blume, que também lidera a Volkswagen. Recentemente, a Porsche indicou que o conselho de supervisão pode destituir o diretor financeiro e o chefe de vendas, refletindo a insatisfação com a performance da empresa. A montadora havia sido uma das primeiras a hesitar na transição para veículos elétricos, citando uma demanda abaixo do esperado, especialmente na China, onde as entregas caíram 28% no ano passado.
Além disso, a Porsche anunciou um impacto financeiro de 800 milhões de euros (cerca de 831 milhões de dólares) neste ano, relacionado à ampliação de seu portfólio com motores de combustão e híbridos plug-in. Apesar do sucesso inicial do Taycan, as vendas de modelos elétricos caíram, e a nova versão do Macan não atendeu às expectativas. O retorno sobre as vendas para 2024 deve ficar na extremidade inferior da previsão, em torno de 14%, já reduzido anteriormente devido a problemas na cadeia de suprimentos.
A holding de propriedade majoritária da família Porsche-Piëch também enfrenta consequências, prevendo uma redução no valor contábil de seu investimento na montadora, com perdas estimadas entre 2,5 bilhões e 3,5 bilhões de euros. Em dezembro, a expectativa era de um revés de 1 bilhão a 2 bilhões de euros. A situação atual da Porsche levanta questões sobre sua capacidade de manter a lucratividade esperada para uma marca de luxo, conforme destacado pelo analista Harald Hendrikse, do Citigroup.
Entre na conversa da comunidade