O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, destacou em evento na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) que a política monetária não deve combater “fantasmas”. A declaração surgiu em resposta a questionamentos sobre a avaliação do BC em relação à política fiscal, especialmente em um cenário de preocupações sobre a sustentabilidade da […]
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, destacou em evento na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) que a política monetária não deve combater “fantasmas”. A declaração surgiu em resposta a questionamentos sobre a avaliação do BC em relação à política fiscal, especialmente em um cenário de preocupações sobre a sustentabilidade da dívida pública. Galípolo enfatizou que o Banco Central não pode agir preventivamente com base nas expectativas do mercado sobre a política fiscal brasileira.
Galípolo também defendeu o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ressaltando seu esforço contínuo na defesa da política fiscal. Ele mencionou que, nas reuniões de dezembro e janeiro, o Comitê de Política Monetária (Copom) adotou uma postura clara ao elevar a taxa de juros para um nível restritivo, buscando agir com “alguma segurança”. O presidente do BC explicou que os efeitos das mudanças na taxa de juros são percebidos inicialmente na atividade econômica e, posteriormente, na inflação.
O presidente do Banco Central ressaltou a importância de uma análise cuidadosa dos dados de atividade e inflação, afirmando que a instituição mantém uma atuação preventiva devido à defasagem natural dos efeitos da política monetária. Ele também mencionou que o BC adota uma abordagem de reação assimétrica, sendo mais agressivo em períodos de alta de juros e mais cauteloso ao observar a desaceleração da inflação. Galípolo afirmou que a autoridade monetária evita amplificar a volatilidade do mercado, focando em uma análise detalhada dos dados.
Em relação ao estresse nos mercados financeiros no final do ano passado e ao impacto do dólar na inflação, Galípolo explicou que o “pass-through” do câmbio é influenciado pelo nível de atividade econômica e pela duração das variações do dólar. Ele reiterou que o Banco Central precisa de tempo para avaliar os dados e as repercussões dos eventos passados, a fim de identificar tendências de longo prazo.
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