Um levantamento da Quaest, realizado para o jornal O GLOBO, revela que 50,1% dos brasileiros estão nas classes C, B e A, indicando que o Brasil voltou a ser um país de classe média em 2024. A pesquisa, que entrevistou 2 mil pessoas ao longo do ano, mostra que o diploma universitário perdeu importância, com […]
Um levantamento da Quaest, realizado para o jornal O GLOBO, revela que 50,1% dos brasileiros estão nas classes C, B e A, indicando que o Brasil voltou a ser um país de classe média em 2024. A pesquisa, que entrevistou 2 mil pessoas ao longo do ano, mostra que o diploma universitário perdeu importância, com apenas 52% dos entrevistados das classes média e alta considerando-o relevante. Em contrapartida, 58% da classe baixa ainda valorizam a educação formal. O cientista político Felipe Nunes, CEO da Quaest, destaca que essa desvalorização reflete uma busca por ganhos financeiros mais rápidos e menos esforço, impulsionada pelo comportamento digital.
A pesquisa também abordou o uso do dinheiro, revelando que 19% da classe baixa economiza, percentual que aumenta para 23% na classe média e 24% na classe alta. O endividamento é mais acentuado entre os mais pobres, com 25% enfrentando muitas dívidas, enquanto 22% da classe média e 20% da classe alta compartilham da mesma situação. A visão sobre o dinheiro é semelhante entre as classes: 85% da classe baixa acreditam que ele é feito para gastar, enquanto 73% acham que é preciso guardar. A classe média apresenta números próximos, com 80% para gastar e 75% para guardar.
Além disso, a pesquisa revela um sentimento de nostalgia, com 55% da classe média acreditando que o Brasil era melhor no passado. A casa própria continua sendo uma aspiração importante, e a maioria dos entrevistados da classe baixa (98%) defende que o Estado deve oferecer educação e saúde gratuitas. A privatização de estatais, como a Petrobras, é vista com ceticismo, com 58% da classe baixa se opondo a essa ideia. A classe média também é majoritariamente contra, com 54% discordando da privatização.
Por fim, a pesquisa indica que a classe média está pessimista em relação à economia, com 41% afirmando que a situação piorou nos últimos doze meses. Essa percepção é menos intensa entre os mais pobres, onde 37% compartilham do mesmo sentimento. A pesquisa destaca que, apesar do crescimento do PIB e da redução do desemprego, as dívidas acumuladas e a polarização política contribuem para essa visão negativa.
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