Especialistas apontam que as mudanças climáticas e o aumento do custo do capital, devido à alta de juros, dificultam a meta de universalização do saneamento básico até 2033. Desde a aprovação do marco legal em 2020, foram realizados 45 leilões em 19 estados, com um investimento total de R$ 277,3 bilhões. No entanto, a falta […]
Especialistas apontam que as mudanças climáticas e o aumento do custo do capital, devido à alta de juros, dificultam a meta de universalização do saneamento básico até 2033. Desde a aprovação do marco legal em 2020, foram realizados 45 leilões em 19 estados, com um investimento total de R$ 277,3 bilhões. No entanto, a falta de uma conjuntura econômica favorável e a ausência de matrizes de risco nos editais podem transformar o crescimento do setor em frustração, elevando as contas de água.
Joisa Dutra, economista da Fundação Getulio Vargas, destaca a importância de ações coordenadas entre diferentes esferas do poder público para enfrentar os desafios climáticos. A construção de uma rede resiliente pode atrasar investimentos, mas é essencial. Guilherme Duarte, CEO da Copasa, menciona que eventos climáticos extremos, como estiagens e chuvas intensas, impactam tanto o abastecimento de água quanto o tratamento de esgoto, exigindo investimentos de R$ 17 bilhões entre 2025 e 2029.
O professor Jerson Kelman alerta que a crise fiscal do Brasil pode aumentar os custos para as famílias, que já pagam pelas instalações existentes. Silvio Campos Neto, da Tendências Consultoria, observa que as condições financeiras estão adversas, dificultando o crédito para as empresas de saneamento. O setor precisa investir cerca de R$ 90 bilhões por ano até 2033 para universalizar os serviços, mas atualmente apenas 62,5% dos domicílios brasileiros estão conectados à rede de esgoto.
Felipe Thut, do Bradesco BBI, ressalta que juros altos impactam negativamente investimentos de longo prazo, como saneamento. A Iguá Saneamento, que ganhou um leilão em Sergipe, já financiou suas operações, mas enfrenta preocupações com a captação de novos recursos. A Aegea, que atende 31 milhões de pessoas, reconhece que o setor é intensivo em capital e sofre com o aumento das taxas de juros, mas afirma estar se preparando para os investimentos necessários.
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