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A vigilância eletrônica redefine as relações de trabalho na era digital

- Dora Manriquez, motorista de aplicativos, enfrenta falência após anos de trabalho. - Relatório do Senado revela que a Amazon usa algoritmos para controlar produtividade. - Monitoramento de trabalhadores cresce, com quase 80% das empresas adotando práticas. - Disparidade salarial entre CEOs e trabalhadores atinge níveis alarmantes em 2023. - A falta de regulamentação sobre dados de trabalhadores gera preocupações sobre privacidade.

Dora Manriquez, motorista de Uber e Lyft na área da baía de São Francisco, enfrenta dificuldades financeiras devido às tarifas baixas oferecidas pelos aplicativos, que variam de R$ 4 a R$ 16 para viagens que custam até R$ 100 aos clientes. Após nove anos na profissão, ela se vê obrigada a declarar falência, já que […]

Dora Manriquez, motorista de Uber e Lyft na área da baía de São Francisco, enfrenta dificuldades financeiras devido às tarifas baixas oferecidas pelos aplicativos, que variam de R$ 4 a R$ 16 para viagens que custam até R$ 100 aos clientes. Após nove anos na profissão, ela se vê obrigada a declarar falência, já que sua taxa de aceitação de corridas impacta seu escore de motorista, o que influencia os benefícios que recebe. Embora a Uber afirme que essa taxa não afeta os ganhos, a falta de transparência nos algoritmos das plataformas gera insegurança entre os motoristas.

Um estudo de 2021 revelou que 80% das empresas monitoram seus trabalhadores remotos ou híbridos, e uma investigação do New York Times em 2022 constatou que oito das dez maiores empresas privadas dos EUA rastreiam a produtividade dos funcionários em tempo real. Softwares especializados registram atividades online, localização física e até comportamentos, muitas vezes sem o conhecimento dos trabalhadores. A previsão é que o mercado global de software de monitoramento de funcionários atinja R$ 4,5 bilhões até 2026, com a América do Norte liderando.

A relação entre trabalhadores e gerentes está mudando, com dados sendo usados para criar algoritmos que determinam contratações, demissões e promoções. Essa automação crescente pode levar a um ambiente de trabalho onde a pressão por produtividade é constante, resultando em estresse e desconfiança. A disparidade salarial também é alarmante, com os salários dos CEOs sendo 290 vezes maiores que os dos trabalhadores em 2023, um aumento de mais de 1.000% desde 1978.

Atualmente, a regulamentação sobre a coleta e uso de dados dos trabalhadores é escassa nos EUA. Embora existam algumas leis, como a California Consumer Privacy Act (CCPA), que agora inclui proteções para trabalhadores, a aplicação dessas normas ainda é um desafio. Organizações sindicais estão pressionando por novas políticas que garantam direitos e protejam a dignidade dos trabalhadores em um cenário de crescente vigilância eletrônica e gestão algorítmica.

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