Em 2024, as importações da China para o Carnaval brasileiro atingiram um recorde histórico, com 95% dos itens de festas provenientes do país asiático, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O volume total importado chegou a 20,7 mil toneladas, um aumento de 29% em relação a 2023. Essa tendência reflete […]
Em 2024, as importações da China para o Carnaval brasileiro atingiram um recorde histórico, com 95% dos itens de festas provenientes do país asiático, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O volume total importado chegou a 20,7 mil toneladas, um aumento de 29% em relação a 2023. Essa tendência reflete a crescente dependência do Brasil em relação a produtos chineses, que dominam o comércio popular, especialmente em locais como a rua 25 de março, em São Paulo.
Empresários brasileiros, como Pierre Sfeir, que importa de 10 a 12 contêineres por ano, destacam a competitividade dos preços chineses, mesmo com os altos custos de transporte. Sfeir, que viaja anualmente para a China, observa que itens como sombrinhas de frevo e adereços de Carnaval são agora predominantemente importados. A gerente da loja Fantasias Radicais, Monica Gomes, estima que 70% dos produtos de Carnaval em sua loja vêm da China, com muitos itens revendidos para outros estados e países.
A Feira de Cantão e a cidade de Yiwu são destinos frequentes para comerciantes brasileiros, que buscam produtos a preços acessíveis. A Feira de Cantão, realizada duas vezes por ano, é um dos principais centros de exportação chinesa, enquanto Yiwu se destaca como um “atacadão” permanente. O cientista político Maurício Santoro ressalta que a competitividade dos produtos chineses se deve a fatores como alta produtividade, processos industriais otimizados e subsídios fiscais.
Apesar da predominância das importações, algumas empresas brasileiras ainda produzem itens específicos, como máscaras de carnaval. No entanto, a pressão da concorrência chinesa é evidente, levando a uma desindustrialização em setores como o de fantasias. A diretora da Spook, Elaine Leverone, observa que a competição com produtos chineses afeta significativamente os negócios, destacando a necessidade de inovação e diferenciação para manter a competitividade no mercado.
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