O mercado de títulos do governo brasileiro pode se tornar um “oásis” para investidores, segundo analistas da CNBC, especialmente em meio a tensões comerciais globais. O diretor de investimentos da abrdn, Viktor Zvabo, destacou que o mercado é influenciado mais por fatores internos, como política fiscal e perspectivas de inflação, do que por sentimentos globais. […]
O mercado de títulos do governo brasileiro pode se tornar um “oásis” para investidores, segundo analistas da CNBC, especialmente em meio a tensões comerciais globais. O diretor de investimentos da abrdn, Viktor Zvabo, destacou que o mercado é influenciado mais por fatores internos, como política fiscal e perspectivas de inflação, do que por sentimentos globais. Atualmente, o rendimento dos títulos do governo brasileiro a dez anos é de 15,267%, um aumento superior a 40% em relação ao ano passado, conforme dados da LSEG. Zvabo afirmou que o Brasil oferece uma das maiores taxas reais entre os mercados de títulos governamentais.
Os rendimentos dos títulos do governo do Brasil são significativamente mais altos em comparação com outros mercados emergentes, como os 5,939% do Chile e os 9,487% do México. A combinação de inflação persistente e incertezas sobre a perspectiva fiscal do Brasil tem impulsionado esses altos rendimentos. Gustavo Medeiros, da Ashmore Group, observou que, nos últimos cinco anos, o Brasil esteve entre os piores desempenhos da América Latina, mas agora parece pronto para superar seus pares regionais. Em 2025, o mercado local brasileiro se destacou, com a moeda se valorizando e o Ibovespa subindo mais de 12% no ano.
Desde que Luiz Inácio Lula da Silva assumiu a presidência em janeiro de 2023, a economia brasileira enfrenta desafios, incluindo uma alta taxa de inflação. Lula implementou programas de gastos significativos, levantando questões sobre a sustentabilidade da dívida pública, que atualmente é de 76,1% do PIB. Apesar das tensões comerciais globais, analistas acreditam que o Brasil está relativamente protegido, devido a suas modestas ligações comerciais com os EUA. O gestor de portfólio da Allspring Global Investments, Noah Wise, indicou que os ativos brasileiros estão se recuperando, com a moeda se fortalecendo mais de 4% em relação ao dólar desde o início do ano.
Os títulos em moeda local do Brasil estão se mostrando “muito não correlacionados” a outros mercados de títulos, segundo George Efstathopoulos, da Fidelity International. Ele destacou que os investidores locais podem obter altos rendimentos nominais que superam os níveis de inflação. Para investidores internacionais, o risco cambial é uma preocupação, mas Zsolt Papp, da JPMorgan Asset Management, acredita que as recompensas compensam os riscos. Papp sugeriu que acessar o mercado de títulos do governo brasileiro por meio de fundos geridos ativamente oferece diversificação e gestão de riscos.
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