Em plena luz do dia, autoridades realizaram uma operação em um armazém nos arredores de Sukhumi, na Abkházia, uma região separatista da Geórgia apoiada pela Rússia. O local estava vazio, sem drogas ou armas, mas continha um grande armário refrigerado com dezenas de dispositivos eletrônicos, revelando uma mina de criptomoedas. Apesar da proibição do mineração […]
Em plena luz do dia, autoridades realizaram uma operação em um armazém nos arredores de Sukhumi, na Abkházia, uma região separatista da Geórgia apoiada pela Rússia. O local estava vazio, sem drogas ou armas, mas continha um grande armário refrigerado com dezenas de dispositivos eletrônicos, revelando uma mina de criptomoedas. Apesar da proibição do mineração de criptomoedas na região, essa prática tem prosperado devido à energia hidrelétrica barata, contribuindo para escassez de energia e apagões severos. Em novembro, cortes diários de energia foram implementados, que aumentaram para quase dez horas diárias em dezembro, levando o líder interino Badra Gunba a declarar uma “catástrofe humanitária”.
A mineração de criptomoedas consome enormes quantidades de eletricidade, com computadores realizando trilhões de cálculos por segundo. A Abkházia, que antes dependia quase totalmente de energia renovável, agora recorre a energia subsidiada da Rússia, aumentando a poluição climática. A demanda global por energia no setor de criptomoedas está crescendo, com um estudo da Universidade das Nações Unidas indicando que a mineração de Bitcoin consome mais energia do que todo o Paquistão. A Agência Internacional de Energia prevê um aumento de 40% no consumo de eletricidade da indústria entre 2022 e 2026.
Nos Estados Unidos, empresas de criptomoedas estão buscando fontes de energia renovável para reduzir custos. A MARA Holdings, por exemplo, adquiriu um parque eólico no Texas para alimentar suas operações de mineração. A empresa também planeja expandir suas operações no exterior, incluindo no Paraguai, onde a energia é gerada a partir de hidrelétricas. No entanto, especialistas alertam que essa demanda pode agravar a escassez de energia em regiões onde o acesso à eletricidade já é limitado, como no Paraguai, onde muitos ainda dependem de lenha para aquecimento.
A Etiópia também se tornou um destino para mineradores de criptomoedas, atraídos por sua energia hidrelétrica barata. A BitFuFu, uma empresa de mineração de Bitcoin, anunciou uma nova instalação no país, prometendo benefícios econômicos. Contudo, especialistas questionam a viabilidade dessa expansão, dado que quase metade da população etíope não tem acesso confiável à eletricidade. A crescente demanda por energia para mineração em regiões vulneráveis levanta preocupações sobre a equidade e as consequências ambientais. Em Abkházia, a insatisfação com os impactos da mineração levou ativistas locais a queimar equipamentos de criptomoeda, clamando por uma solução que priorize as necessidades da população.
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