A alta da taxa de juros deve impactar os resultados das tesourarias dos bancos brasileiros em 2024. As instituições, que buscaram resultados em um cenário volátil no final do ano passado, enfrentam agora a necessidade de equilibrar os custos de captação com uma carteira de crédito que não se ajusta rapidamente. Itaú Unibanco, Bradesco e […]
A alta da taxa de juros deve impactar os resultados das tesourarias dos bancos brasileiros em 2024. As instituições, que buscaram resultados em um cenário volátil no final do ano passado, enfrentam agora a necessidade de equilibrar os custos de captação com uma carteira de crédito que não se ajusta rapidamente. Itaú Unibanco, Bradesco e Santander Brasil preveem resultados menores em suas tesourarias, embora não esperem repetir as perdas significativas de 2022 e 2023. O presidente do Santander, Mario Leão, destacou que o aumento esperado da Selic, atualmente em 13,25% ao ano e projetada para 14,25% em março, não é comparável ao passado recente.
Os custos de captação estão sob pressão, refletindo na gestão de ativos e passivos (ALM). Os bancos se beneficiaram da volatilidade do mercado no final de 2024, mas a previsão de resultados para este ano é incerta. O presidente do Itaú, Milton Maluhy, mencionou que, apesar de resultados fortes, a incerteza aumentou. Em contraste, o Banco do Brasil (BB) apresenta uma estratégia que protege seu balanço, com 82,6% de seus títulos sendo pós-fixados, o que ajuda a mitigar os efeitos da alta de juros.
Os resultados das tesourarias são refletidos na margem com mercado, que inclui operações de negociação de títulos e a gestão de ativos e passivos. A gestão de ativos e passivos busca equilibrar os prazos e preços entre depósitos e carteiras de crédito. Matheus Guimarães, da XP Investimentos, explicou que o aumento nos custos de captação, geralmente pós-fixados, gera um descompasso temporário até que os bancos ajustem suas operações de crédito à nova curva de juros.
Entre os quatro maiores bancos, o Itaú adota estratégias para proteger seu capital contra flutuações cambiais, enquanto o Bradesco não possui uma estratégia formal de hedge. O Santander começou a implementar posições de proteção no ano passado. O BB, por sua vez, mantém uma carteira de crédito diversificada, equilibrando segmentos de pessoa física e jurídica, o que oferece uma proteção natural contra a alta de juros. Mario Pierry, do Bank of America, observou que o BB está mais preparado para a alta de juros devido à sua maior concentração em contas correntes e depósitos que não são diretamente afetados pela Selic.
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