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Grupo Montesanto Tavares pede recuperação judicial e revela crise no setor cafeeiro

- O Grupo Montesanto Tavares, grande exportador de café, enfrenta crise financeira. - Dívidas somam R$ 2,13 bilhões, com recuperação judicial protocolada em fevereiro. - Juiz nomeou perito para avaliar saúde financeira antes de decidir sobre recuperação. - Aumento de 200% nos preços do café impactou gestão financeira do grupo. - Credores incluem grandes bancos e tradings, com riscos de prejuízos significativos.

O pedido de recuperação judicial do Grupo Montesanto Tavares, incluindo suas controladas Atlantica e Cafebras, foi protocolado na 2ª Vara Empresarial de Belo Horizonte, revelando os impactos da alta dos preços globais do café no setor. A crise financeira, que afeta uma das maiores exportadoras de café do Brasil, é atribuída à dificuldade de gestão […]

O pedido de recuperação judicial do Grupo Montesanto Tavares, incluindo suas controladas Atlantica e Cafebras, foi protocolado na 2ª Vara Empresarial de Belo Horizonte, revelando os impactos da alta dos preços globais do café no setor. A crise financeira, que afeta uma das maiores exportadoras de café do Brasil, é atribuída à dificuldade de gestão financeira diante do aumento de até 200% nas cotações internacionais em 15 meses. O grupo declarou dívidas de R$ 2,13 bilhões, com um valor total da causa estimado em R$ 4,968 bilhões.

O Banco do Brasil é o principal credor, com cerca de R$ 828 milhões a receber, seguido pelo Banco do Nordeste com R$ 250 milhões e o Santander com R$ 225 milhões. Entre as tradings, a Cargill figura com R$ 104,2 milhões. A recuperação judicial, se aceita, poderá gerar prejuízos significativos para essas instituições financeiras. O grupo, que opera com aproximadamente 2.000 produtores e é responsável por 8% das exportações de café arábica do Brasil, registrou receitas superiores a R$ 3 bilhões em 2023.

Os problemas financeiros começaram nas safras de 2021 e 2022, quando a quebra de safra levou a uma escassez de café. Para honrar contratos, o grupo recorreu a ACCs (Adiamento em Contrato de Câmbio), um instrumento que passou a ser utilizado sem contratos futuros adequados, resultando em um aumento expressivo das captações. A média semanal de captações via ACCs saltou de US$ 1,4 milhão para US$ 5,7 milhões entre 2021 e 2024.

A disparada dos preços do café arábica, que ultrapassou US$ 4,00 por libra-peso, complicou ainda mais a situação financeira do grupo, que se viu pressionado por “chamadas de margem” de corretoras e bancos. O volume de compromissos com derivativos cresceu para 158% do saldo de recebíveis, elevando o valor de derivativos de R$ 50 milhões para R$ 470 milhões. O juiz Murilo Silvio de Abre solicitou uma análise prévia para avaliar a saúde financeira do grupo antes de decidir sobre o pedido de recuperação judicial.

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