A versatilidade dos FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios) se destaca no cenário brasileiro, especialmente em um momento em que a renda fixa é a principal escolha de investimentos. Esses fundos financiam empresas de diversos setores, incluindo varejo, serviços e até clubes de futebol, como o São Paulo, que lançou um FIDC no ano […]
A versatilidade dos FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios) se destaca no cenário brasileiro, especialmente em um momento em que a renda fixa é a principal escolha de investimentos. Esses fundos financiam empresas de diversos setores, incluindo varejo, serviços e até clubes de futebol, como o São Paulo, que lançou um FIDC no ano passado. Eduardo Siqueira, diretor de RI e DCM da SRM Asset, ressalta que “qualquer tipo de recebível é ‘fidicável’”, o que amplia as possibilidades de atuação.
Entre os FIDCs notáveis, destaca-se o da Casas Bahia, que iniciou operações com R$ 300 milhões, visando alcançar R$ 500 milhões. O fundo, estruturado pela Polígono Capital e administrado pelo BTG Pactual, antecipa valores a receber da varejista. O São Paulo F.C. também se beneficiou, captando R$ 240 milhões para reestruturar dívidas através da venda de créditos de transmissão e patrocínios. A montadora GWM criou um FIDC para apoiar concessionárias na compra de carros usados, com previsão de atingir R$ 500 milhões em créditos.
Entretanto, a diversificação excessiva pode se tornar um problema, conforme especialistas. A dependência dos recebíveis para gerar lucros significa que uma gestão pulverizada pode comprometer a qualidade dos ativos. Phylipe Corsini, da CVPAR Business Capital, alerta que “a diversificação excessiva pode levar a uma queda na qualidade dos ativos dentro do fundo”. Gabriel Redivo, da Aware Investments, complementa que a gestão se torna mais complexa quando os recebíveis apresentam características muito distintas.
Além disso, existem setores onde os FIDCs ainda não penetraram, como tecnologia e saúde, que têm potencial para utilizar esses instrumentos. Redivo menciona que empresas de tecnologia podem antecipar receitas recorrentes, enquanto o setor de saúde pode financiar recebíveis hospitalares. Siqueira destaca que setores sem fluxo previsível de recebíveis, como mineração e petróleo, são menos viáveis para os FIDCs, que dependem de transações comerciais estruturadas.
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