O preço do ouro ultrapassou US$ 3.000 por onça pela primeira vez na história, impulsionado por uma combinação de incertezas econômicas globais e tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O metal precioso atingiu US$ 3.001,20 nesta sexta-feira, refletindo o papel do ouro como um ativo seguro em tempos de turbulência. Nos últimos […]
O preço do ouro ultrapassou US$ 3.000 por onça pela primeira vez na história, impulsionado por uma combinação de incertezas econômicas globais e tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O metal precioso atingiu US$ 3.001,20 nesta sexta-feira, refletindo o papel do ouro como um ativo seguro em tempos de turbulência. Nos últimos 25 anos, o preço do ouro aumentou dez vezes, superando o desempenho do S&P 500, que quadruplicou no mesmo período. A expectativa de novas tarifas levou comerciantes a enviar grandes volumes de ouro para os EUA, resultando em um fluxo de mais de 23 milhões de onças, avaliadas em cerca de US$ 70 bilhões, para os depósitos da bolsa de futuros Comex.
A alta do ouro é frequentemente associada a períodos de estresse econômico e político. O metal superou US$ 1.000 por onça após a crise financeira de 2008 e ultrapassou US$ 2.000 durante a pandemia de Covid-19. Após uma queda para cerca de US$ 1.600, o preço começou a subir novamente em 2023, impulsionado pela diversificação das reservas dos bancos centrais e pela crescente demanda da China. Thomas Kertsos, co-gestor de portfólio da First Eagle Investment Management, destacou que o ouro preserva valor em diversos cenários macroeconômicos adversos, mantendo seu poder de compra e liquidez.
A política comercial agressiva de Trump tem sido um fator crucial para a valorização do ouro em 2025. O presidente impôs tarifas sobre importações do Canadá, México e União Europeia, além de produtos chineses. As retaliações europeias e a possibilidade de uma escalada na guerra comercial aumentaram a incerteza econômica global. Ian Samson, gestor de portfólio da Fidelity, comentou que essa situação gera uma enorme incerteza, impactando a economia mundial.
Além disso, a diversificação das reservas dos bancos centrais tem impulsionado a demanda por ouro. Desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, muitos países passaram a ver o dólar como um risco, resultando em um aumento significativo nas compras de ouro. A China, considerada rival geopolítica dos EUA, ampliou suas aquisições, enquanto Polônia, Índia e Turquia também lideraram as compras no último ano. Apesar da recente alta, o ouro ainda está longe de seu pico histórico ajustado pela inflação, que foi de cerca de US$ 3.800 em 1980. Analistas do Bank of America afirmam que, para o ouro atingir US$ 3.500, a demanda de investidores precisaria crescer 10%, um desafio significativo, mas não impossível.
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