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Inflação do consumidor pressiona apesar da queda nos preços de carne e soja

- Em março, a carne caiu 3,5%, contribuindo para deflação de 0,26% no IPA. - O IPC subiu para 1,03%, pressionado por alta em alimentos como ovos e milho. - O IGP-10 desacelerou para 0,04%, acumulando alta de 1,44% no trimestre. - Mudanças climáticas e câmbio impactam a produção de alimentos no Brasil. - O governo isentou impostos sobre alimentos para conter a inflação crescente.

Em março de 2024, o preço da carne caiu 3,5%, o minério de ferro 2,12% e a soja 1,46%, contribuindo para uma deflação de 0,26% no Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que havia subido 1,02% em fevereiro. Em contrapartida, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) registrou uma alta de 1,03%, mais que […]

Em março de 2024, o preço da carne caiu 3,5%, o minério de ferro 2,12% e a soja 1,46%, contribuindo para uma deflação de 0,26% no Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que havia subido 1,02% em fevereiro. Em contrapartida, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) registrou uma alta de 1,03%, mais que o dobro da variação anterior de 0,44%. O economista André Braz, do FGV Ibre, observa que, apesar da queda nos preços ao produtor, a inflação para o consumidor deve continuar pressionada, especialmente por itens como ovos e milho.

A análise do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) destaca que a inflação de alimentos, que subiu 7,25% nos últimos doze meses, está crescendo mais rapidamente que a inflação geral, que foi de 4,56%. O documento aponta que a produção agrícola não está acompanhando a demanda, com a inflação de alimentos acumulando alta de 162% entre 2012 e 2024, enquanto o IPCA geral aumentou 109%. Fatores como mudanças climáticas e a desvalorização do real também são citados como responsáveis pelo aumento dos preços.

O crescimento da produção agrícola no Brasil desacelerou, com a área plantada aumentando principalmente para culturas de exportação, como soja e milho. A produção de alimentos básicos, como feijão e arroz, caiu significativamente, refletindo uma mudança nas prioridades agrícolas. O Ibre alerta que a alta dos alimentos não é um fenômeno passageiro e recomenda políticas que estimulem a produção de alimentos, sem restringir as culturas de exportação.

O governo, preocupado com os preços dos alimentos, zerou o Imposto de Importação de nove tipos de alimentos e espera que a supersafra de grãos de 328,3 milhões de toneladas em 2024/25 traga alívio. O IGP-10 também desacelerou para 0,04% em março, após uma alta de 0,87% em fevereiro, com o IPA caindo 0,26%. O IPC subiu 1,03%, com destaque para a alta em habitação e alimentação, enquanto o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) avançou 0,43%.

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