O preço do café no Brasil disparou, com um aumento de 66% nos últimos doze meses até fevereiro, impulsionado pela queda na produção devido a problemas climáticos. Enquanto muitos produtores enfrentaram perdas, aqueles que conseguiram boas safras, como Manasses Sampaio Dias, de Divinolândia (SP), e Thiago Carvalho, de Lavras (MG), estão se beneficiando com lucros […]
O preço do café no Brasil disparou, com um aumento de 66% nos últimos doze meses até fevereiro, impulsionado pela queda na produção devido a problemas climáticos. Enquanto muitos produtores enfrentaram perdas, aqueles que conseguiram boas safras, como Manasses Sampaio Dias, de Divinolândia (SP), e Thiago Carvalho, de Lavras (MG), estão se beneficiando com lucros significativos, de até 150%. A venda do café arábica, o mais cultivado no país, subiu 150% em um ano, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
Com o aumento da receita, os cafeicultores estão investindo em suas lavouras para se proteger de futuras secas. Manasses, que cultiva café arábica em uma área de 12 hectares, implementou barraginhas para armazenar água da chuva e aumentou a secagem do grão com um terreiro suspenso, totalizando investimentos de cerca de R$ 25 mil. Ele também planeja construir uma microtorrefação, com custos estimados entre R$ 80 mil e R$ 100 mil.
Thiago, por sua vez, busca irrigar 100% de seus 360 hectares e estima um gasto de até R$ 20 mil por hectare para essa implementação. Apesar do lucro, ele enfrentou desafios, como a necessidade de quitar dívidas com financiamentos rurais e perdas de 30% na lavoura de sequeiro devido à falta de irrigação. Ambos os produtores destacam que a produção de café tem sido afetada por condições climáticas adversas nos últimos anos.
A altitude de Divinolândia, acima de mil metros, e a prática de agricultura regenerativa, que inclui o plantio de árvores como bananeiras e abacateiros, têm contribuído para a resiliência de Manasses. Essas técnicas ajudam a manter a umidade do solo e a proteger as plantas contra geadas. Thiago também se beneficiou de sua área irrigada, que minimizou as perdas em sua produção. A situação de muitos outros produtores, no entanto, continua crítica, com custos de produção elevados e dificuldades devido a eventos climáticos extremos.
Entre na conversa da comunidade