A nostalgia por palavras como Pumper, mobur e frenys remete a várias gerações de argentinos, evocando memórias de sabores e aromas de um passado marcado pela presença da primeira cadeia de fast-food do país, a Pumper Nic. Fundada em 1974, a empresa se destacou em um contexto político e econômico desafiador, alcançando um faturamento significativo […]
A nostalgia por palavras como Pumper, mobur e frenys remete a várias gerações de argentinos, evocando memórias de sabores e aromas de um passado marcado pela presença da primeira cadeia de fast-food do país, a Pumper Nic. Fundada em 1974, a empresa se destacou em um contexto político e econômico desafiador, alcançando um faturamento significativo e mais de 60 unidades. A trajetória da Pumper Nic, desde seu auge até seu colapso, é explorada no livro “Un sueño made in Argentina”, da jornalista Solange Levinton, que ganhou o prêmio de não ficção da Libros del Asteroide em 2023.
Levinton, que se inspirou em suas memórias de infância ao visitar a Pumper Nic com sua avó, dedicou dois anos à pesquisa sobre a origem da empresa. Ela descobriu que a Pumper Nic foi criada por Alfredo Lowenstein, um imigrante judeu que fugiu do nazismo na Alemanha. Após se estabelecer na Argentina, ele fundou a cadeia de fast-food, inspirando-se em modelos americanos e adaptando-os ao gosto local. O primeiro restaurante foi inaugurado em 8 de outubro de 1974, no centro de Buenos Aires, e rapidamente se tornou popular entre os jovens.
A narrativa do livro entrelaça a história da Pumper Nic com os eventos políticos da Argentina, especialmente durante a ditadura militar. A autora observa que, apesar da violência política, a Pumper Nic funcionou como uma “bolha”, onde a vida cotidiana seguia sem ser afetada pela turbulência externa. Com a restauração da democracia, a empresa expandiu suas operações, mas enfrentou desafios com a concorrência de gigantes como McDonald’s e Burger King, que começaram a abrir filiais no país.
O declínio da Pumper Nic começou na década de 1990, quando a família Lowenstein vendeu a empresa, resultando em uma série de problemas financeiros e operacionais. A incapacidade de manter a qualidade em todas as unidades, somada a um ambiente econômico desfavorável, levou ao fechamento do último restaurante em maio de 2000. Levinton destaca que a trajetória da Pumper Nic reflete a realidade de muitas empresas argentinas que não conseguiram sobreviver às crises econômicas recorrentes do país.
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