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Crescimento das empresas americanas é impulsionado por política fiscal pró-cíclica, diz especialista

Gustavo Medeiros, da Ashmore, alerta sobre os desequilíbrios econômicos nos EUA e propõe tarifas e desvalorização do dólar como soluções.

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Nos últimos anos, as empresas dos Estados Unidos tiveram um bom desempenho, não só por causa de inovações e do consumo interno, mas também devido a uma política fiscal que favoreceu o setor privado. Gustavo Medeiros, da Ashmore, aponta que essa abordagem gerou problemas econômicos, especialmente um grande déficit comercial. Ele explica que a economia americana é diferente da de países como China e Alemanha, que têm altas taxas de poupança e costumam ter superávits comerciais.

Para resolver esses problemas, Medeiros sugere três soluções: aumentar tarifas, controlar investimentos externos e desvalorizar o dólar. Ele acredita que a melhor estratégia seria combinar essas medidas, focando na desvalorização da moeda. Aumentar tarifas sobre produtos como commodities poderia gerar uma arrecadação significativa, ajudando a reduzir a inflação.

Medeiros também menciona que essa arrecadação extra poderia permitir que o banco central dos EUA, o Federal Reserve, baixasse os juros, ajudando a economia sem aumentar a inflação. A desvalorização do dólar poderia ajudar a reindustrializar o país e aumentar a competitividade em setores importantes, como o de semicondutores. Ele destaca a necessidade de trabalhar em conjunto com outros países, como na Europa e na Ásia, para equilibrar a competição global. Além disso, propõe transformar títulos públicos americanos em treasuries de longo prazo, o que poderia ajudar a desvalorizar o dólar e evitar uma recessão nos EUA.

O desempenho das empresas americanas nos últimos anos, segundo Gustavo Medeiros, head de pesquisa macro global da Ashmore, deve-se não apenas à inovação e ao consumo interno, mas também à política fiscal pró-cíclica dos Estados Unidos. Essa abordagem, segundo ele, favoreceu o setor privado, mas gerou desequilíbrios macroeconômicos significativos, especialmente no que diz respeito ao déficit comercial. Medeiros destacou que a realidade econômica dos EUA difere de países como China e Alemanha, que possuem altas taxas de poupança e superávits comerciais.

Para corrigir esses desequilíbrios, Medeiros sugere três estratégias: a imposição de tarifas, o controle sobre investimentos externos e a desvalorização do dólar. Ele acredita que uma combinação dessas medidas, com foco no câmbio, seria a mais eficaz. A proposta inclui tarifas mais altas sobre commodities e bens intermediários, que poderiam gerar uma arrecadação de cerca de US$ 230 bilhões por ano, impactando a inflação de forma moderada.

Medeiros também argumenta que essa arrecadação adicional poderia permitir ao Federal Reserve (banco central dos EUA) reduzir os juros, estimulando a economia sem aumentar a inflação. A desvalorização do dólar, segundo ele, ajudaria a reindustrializar os EUA e a aumentar a competitividade em setores estratégicos, como o de semicondutores.

Além disso, ele enfatizou a importância de políticas coordenadas com parceiros internacionais, como a Europa e a Ásia, para equilibrar a competição global. Medeiros propôs, ainda, a transformação de títulos públicos americanos mantidos por bancos centrais europeus em treasuries de 100 anos, o que poderia reduzir a necessidade de financiamento de longo prazo e desvalorizar o dólar, evitando uma recessão nos EUA.

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