O aumento de tarifas pelo governo de Donald Trump pode mudar a forma como o agronegócio brasileiro opera. Especialistas que participaram do South Summit comentaram que, a longo prazo, isso pode aumentar a demanda por produtos agrícolas do Brasil, beneficiando as exportações. No entanto, eles também alertaram sobre a incerteza que essa disputa entre os EUA e a China pode trazer, especialmente em relação aos insumos agrícolas, que têm seus preços atrelados ao dólar.
Os custos mais altos de insumos, como fertilizantes, já estão afetando os produtores, e a volatilidade do mercado torna a situação ainda mais difícil. Isso pode fazer com que investidores de capital de risco fiquem mais cautelosos. As startups do setor agrícola, conhecidas como agtechs, já enfrentavam dificuldades para conseguir investimentos antes da eleição de Trump, e o cenário atual pode piorar essa situação. Os especialistas sugerem que o modelo de investimento em agtechs deve ser diferente, pois os ciclos de maturação são mais longos. A Traive, uma empresa que usa inteligência artificial no agronegócio, conseguiu captar recursos no passado, mas o ambiente atual dificulta a captação para novas startups.
O recente aumento de tarifas promovido pelo governo de Donald Trump pode alterar a dinâmica do agronegócio brasileiro, conforme discutido por especialistas no South Summit. Fabrício Pezente, co-fundador e CEO da Traive, destacou que, apesar do impacto inicial, essa situação pode aumentar a demanda por produtos agrícolas do Brasil a médio prazo, beneficiando as exportações. No entanto, ele alertou para a incerteza que essa disputa entre os Estados Unidos e a China pode trazer, especialmente em relação aos insumos agrícolas.
Karime Hajar Alves, gerente de investimentos da BASF Venture Capital na América do Sul, ressaltou que muitos insumos, como fertilizantes, são indexados ao dólar, o que eleva os custos para os produtores. Ela também mencionou que a volatilidade do mercado não é favorável, especialmente em um cenário já complicado para o agronegócio brasileiro, que enfrenta juros altos e incertezas econômicas. O ambiente desafiador pode levar investidores de capital de risco a adotar uma postura mais conservadora.
Lívia Brando, diretora da Vox Capital, observou que as agtechs, ou startups do setor agrícola, já enfrentavam dificuldades para atrair investimentos antes da eleição de Trump. O ecossistema de startups no Brasil é considerado imaturo em comparação com setores como fintechs e saúde. A mediadora do painel também destacou a possibilidade de saída de investimentos devido à guerra comercial, o que pode impactar ainda mais o setor.
Pezente argumentou que o modelo de investimento em agtechs deve ser diferente do adotado em outras indústrias, pois os ciclos de maturação são mais longos. Ele defendeu que investidores estratégicos, que compreendem o setor, são preferíveis, pois seu capital é mais paciente. A Traive, que atua com inteligência artificial no agronegócio, captou US$ 20 milhões no ano passado, mas Pezente alertou que o cenário atual dificulta a captação de novos recursos, especialmente para startups em fase inicial.
Entre na conversa da comunidade