Bettina Schaller, da World Employment Confederation, afirma que a pandemia de Covid-19 fez as pessoas repensarem seus valores em relação ao trabalho. Ela diz que, após a pandemia, muitos passaram a valorizar mais o bem-estar e a flexibilidade, especialmente os jovens, que expressam essas expectativas de forma clara. Schaller acredita que essa mudança não é por falta de vontade, mas sim por uma nova maneira de ver o trabalho, destacando que há uma desconexão entre as habilidades dos jovens e o que o mercado exige. Ela alerta que modelos de trabalho que priorizam a exaustão podem não ser eficazes para atrair e manter talentos. A executiva sugere que o mercado deve se adaptar a essa nova visão e destaca o papel das agências de recrutamento em ajudar os jovens a ganhar experiência, mesmo que temporária. Além disso, ela menciona a necessidade de repensar os processos de recrutamento, que muitas vezes não refletem a cultura das empresas, e defende ambientes de trabalho que valorizem o bem-estar e o aprendizado contínuo.
Executiva aponta reavaliação de valores pós-pandemia e desconexão entre habilidades como fatores para mudança
A discussão sobre o suposto “descompromisso” das novas gerações no ambiente de trabalho ganhou novos contornos. Bettina Schaller, presidente da World Employment Confederation, defende que a pandemia de Covid-19 catalisou uma reavaliação de valores, alterando a relação com o trabalho em diversas faixas etárias.
Schaller explica que a pandemia colocou “muitas coisas em perspectiva”, levando as pessoas a priorizarem o bem-estar pessoal e a flexibilidade. A executiva ressalta que essa mudança não é exclusiva dos jovens, mas eles a expressam de forma mais aberta.
Jovens vocalizam expectativas e buscam equilíbrio
A especialista destaca que os jovens estão cada vez mais claros sobre suas expectativas em relação ao equilíbrio entre vida pessoal e profissional, além da importância da saúde mental. Para Schaller, não se trata de falta de vontade, mas de uma nova forma de encarar o trabalho.
“Os jovens têm vontade. Há um entusiasmo genuíno em participar de trabalhos produtivos”, afirma. A questão central, segundo ela, é a desconexão entre as habilidades que os jovens possuem e as exigências do mercado.
Modelos tradicionais podem ser ineficazes
Schaller alerta que modelos de trabalho que valorizam a exaustão em detrimento das necessidades pessoais podem não ser mais eficazes para atrair e reter talentos. A executiva sugere que o mercado precisa se adaptar a essa nova perspectiva, em vez de resistir.
A World Employment Confederation atua para facilitar a entrada de jovens no mercado de trabalho, enfrentando desafios como o “paradoxo da experiência” – a exigência de experiência para conseguir um emprego, sem oportunidades para adquiri-la.
Agências de recrutamento como ponte para o mercado
A executiva enfatiza o papel das agências de recrutamento como “trampolim” para os jovens, oferecendo a oportunidade de adquirir experiência inicial, mesmo que temporária. Ela ressalta que essa experiência pode ser decisiva na trajetória profissional.
Schaller também destaca a importância de repensar os processos de recrutamento, que muitas vezes dependem de algoritmos que não captam as nuances da cultura organizacional. A executiva defende a promoção de culturas de trabalho que valorizem o bem-estar humano e o aprendizado contínuo.
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