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Argentina enfrenta desafios econômicos apesar das promessas de recuperação de Milei

Cortes de gastos do governo Milei afetam salários e pensões, enquanto setor privado se recupera. Pobreza e desemprego ainda preocupam.

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Christian Bialogurski, um professor de 35 anos em Buenos Aires, trabalha longas horas e muitas vezes não se alimenta para economizar. Seu salário mensal, que pode chegar a US$450, mal cobre suas despesas, como aluguel e transporte. Ele relata que, às vezes, precisa pedir comida à mãe. As políticas do presidente Javier Milei, que incluem cortes de gastos, afetaram os salários e pensões, aumentando a pobreza e o desemprego, especialmente no setor público. Enquanto isso, os salários no setor privado têm melhorado, superando a inflação. O desemprego, que inicialmente subiu, agora está em 6,4%, mas muitos trabalhadores estão em empregos informais, sem proteção social, ganhando menos do que os formais. Isso contribuiu para uma queda no consumo e gerou protestos frequentes contra as medidas de austeridade. A situação é crítica para aposentados, que enfrentam dificuldades financeiras e não conseguem comprar remédios ou alimentos básicos.

BUENOS AIRES (Reuters) – A crise econômica na Argentina se agrava sob o governo de Javier Milei, que implementou cortes de gastos que impactaram salários e pensões. A medida resultou em aumento da pobreza e do desemprego, enquanto o setor privado apresenta melhora salarial.

Christian Bialogurski, professor de comunicação de 35 anos, relata que seu salário mensal, em um bom mês, é de US$ 450, o que mal cobre suas despesas. “Não é suficiente. Às vezes peço comida à minha mãe”, afirmou. Apesar de algumas políticas de Milei terem estabilizado a economia, como a redução da inflação, os cortes nos gastos públicos afetaram severamente os trabalhadores do setor público.

Os salários do setor público caíram mais de 15% em termos reais desde a posse de Milei, em dezembro de 2023. Em contrapartida, os salários do setor privado aumentaram cerca de 3,3% no mesmo período. Julieta Battaglia, contadora do setor privado, comentou que, embora os salários sejam insuficientes, a queda da inflação trouxe mais previsibilidade.

Aumento da Pobreza e Desemprego

O desemprego e a pobreza aumentaram inicialmente, mas a situação começou a melhorar com a saída da recessão. A taxa de desemprego terminou o ano passado em 6,4%. Contudo, o aumento do trabalho informal, que não oferece seguridade social, torna muitos trabalhadores vulneráveis. Roxana Maurizio, pesquisadora do Conicet, destacou que trabalhadores informais ganham cerca de 41% a menos que os formais.

As manifestações contra a austeridade se tornaram frequentes. Em abril, aposentados protestaram, com Ricardo Bouche, de 69 anos, afirmando que sua pensão de R$ 270.000 (US$ 251) não é suficiente para cobrir suas necessidades básicas. “Não posso nem mesmo comprar meus remédios”, lamentou.

O governo de Milei defende que o ajuste fiscal é necessário e que a queda da inflação está melhorando os salários em termos reais. No entanto, os cortes em infraestrutura e a desregulação do mercado têm afetado negativamente a economia local, resultando em um aumento do descontentamento popular.

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