Após participar do Skoll World Forum, que reúne líderes de empreendedorismo social, percebi um contraste importante com a realidade da Feira Preta em São Paulo, que teve que ser adiada por falta de patrocínio. Apesar de discursos sobre diversidade e ESG, o financiamento para iniciativas de empreendedores negros continua escasso. Durante o fórum, discutimos como a inovação social pode surgir das margens, mas as promessas de apoio financeiro ainda não se concretizam. Embora haja muitas ideias criativas, o acesso a crédito é uma barreira global, especialmente para mulheres negras e empreendedores negros no Brasil. O sistema financeiro exige comprovações que deveriam ser desnecessárias. A falta de investimento em tradução e acessibilidade linguística também é um problema, pois eventos globais ainda se concentram no inglês. É necessário mudar a forma como escutamos e alocamos recursos, reconhecendo saberes e histórias como essenciais. A inovação deve incluir como nos relacionamos e colaboramos, e a escuta ativa deve se transformar em recursos e mudanças reais.
Após três dias de debates no Skoll World Forum, realizado em abril em Oxford, líderes de empreendedorismo social de diversas partes do mundo discutiram soluções para problemas sociais. O evento destacou a presença de mulheres negras da diáspora, incluindo representantes do Brasil, Colômbia, Nigéria e Quênia. Durante as discussões, ficou evidente a necessidade de promover a inovação social a partir de perspectivas marginalizadas.
A Feira Preta, festival de cultura negra em São Paulo, teve que ser adiada por falta de patrocínio, mesmo em um contexto de crescente retórica sobre diversidade e práticas de investimento social. O evento, que já teve 23 edições, é considerado o maior festival de cultura negra da América Latina. A falta de recursos reflete a centralização do financiamento e a resistência a modelos inovadores de apoio.
No painel “Philanthropy at a Crossroads”, líderes de fundações discutiram a necessidade de mudar o modelo tradicional de doações, propondo o financiamento misto e a redistribuição de poder para lideranças locais. Contudo, a mudança prática ainda é lenta. Uma declaração impactante durante o painel ressaltou: “Este não é o momento de recuar. É o momento de ir mais fundo.”
A realidade enfrentada por empreendedores negros no Brasil é marcada pela escassez de financiamento. Apesar de movimentarem a economia, muitos permanecem invisíveis para o sistema financeiro, que exige comprovações de credibilidade que não deveriam ser necessárias. A contradição entre a abundância de inovação social e a escassez de recursos com propósito é evidente.
Além disso, a falta de investimento em acessibilidade linguística em eventos globais é uma barreira significativa. A predominância do inglês exclui vozes importantes e limita a colaboração. Para garantir um futuro inovador e inclusivo, é essencial que as práticas filantrópicas sejam repactuadas, priorizando a escuta ativa e a colaboração.
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