O governo dos Estados Unidos aumentou tarifas sobre produtos como grãos, carnes e eletrônicos, o que trouxe incertezas para o comércio global e abriu oportunidades para o Brasil. Com a China buscando alternativas para substituir compras dos EUA, produtos brasileiros estão ganhando destaque, além de novos investimentos e acordos. Especialistas afirmam que o Brasil pode se beneficiar, mas precisa ter uma boa estrutura de exportação e relações diplomáticas. Apesar de uma queda nas exportações brasileiras para a China, a tendência é de crescimento a médio prazo, embora a competitividade da indústria nacional seja uma preocupação. A Apple está considerando aumentar a produção no Brasil, o que pode atrair mais investimentos. Recentemente, o Brasil e a China firmaram acordos que podem ajudar na infraestrutura e no desenvolvimento industrial. Historicamente, a economia da China cresceu muito mais que a do Brasil nas últimas décadas, mudando a dinâmica global.
O tarifaço anunciado pelos Estados Unidos em abril, que impôs sobretaxas sobre grãos, carnes e eletrônicos, trouxe incertezas ao comércio global e abriu oportunidades para o Brasil. Com a China buscando alternativas para substituir produtos americanos, os exportadores brasileiros estão em destaque. Lívio Ribeiro, especialista em economia chinesa, afirma que o Brasil pode se beneficiar, mas ressalta a necessidade de uma estrutura de exportação sólida e uma diplomacia econômica eficaz.
No primeiro trimestre de 2025, a corrente de comércio entre Brasil e China alcançou US$ 38,9 bilhões, com exportações brasileiras totalizando US$ 19,8 bilhões. Apesar de um saldo positivo de US$ 745 milhões, houve uma queda de 13,4% nas exportações em relação ao mesmo período de 2024, enquanto as importações aumentaram 35%, impulsionadas por embarcações e plataformas flutuantes. Essa mudança acendeu um alerta sobre a possível entrada de produtos chineses no mercado brasileiro.
Oportunidades e Riscos
A percepção de que o Brasil é um concorrente mais confiável em relação à China é compartilhada por Rafael Perez, economista da Suno Research. Ele destaca que a Argentina também está se beneficiando, com a China comprando soja e milho do país vizinho. Luiz Fernando Figueiredo, presidente do conselho da JiveMauá, acredita que a lacuna deixada pelos EUA pode aumentar a demanda por produtos brasileiros, possivelmente elevando os preços.
Entretanto, a falta de competitividade da indústria brasileira é um risco significativo. Leandro Gilio, pesquisador do Insper Agro Global, aponta que o encarecimento de insumos pode impactar as margens dos produtores nas próximas safras. Apesar disso, a tendência de médio prazo ainda é de expansão das exportações brasileiras.
Expansão da Produção
A reconfiguração das cadeias produtivas já está gerando decisões estratégicas. O Brasil pode se tornar uma plataforma de vendas para empresas chinesas visando o mercado americano. Charles Tang, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China, sugere que a diversificação da produção na China pode beneficiar o Brasil.
Além disso, a Apple está considerando expandir a produção de iPhones na fábrica da Foxconn em Jundiaí, São Paulo, com foco na exportação para mercados fora da China. Essa reorientação pode impulsionar investimentos privados no Brasil, especialmente em infraestrutura e financiamento à exportação. Em junho do ano passado, uma missão oficial à China resultou em R$ 24 bilhões em acordos de crédito, focando em desenvolvimento industrial e economia verde.
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