A China, que antes era vista como produtora de itens de baixa qualidade, agora é líder em inovação tecnológica, registrando mais patentes que os Estados Unidos. O país se destaca em áreas como veículos elétricos e inteligência artificial, graças a políticas estatais e um sistema educacional focado em tecnologia. Isabela Nogueira, professora da UFRJ, explica que a China evoluiu rapidamente de uma economia baseada na montagem para uma potência em inovação. Fatores como planejamento econômico centralizado, financiamentos de longo prazo e forte presença do Estado nas empresas ajudaram nessa transformação. O plano Made in China 2025, que prioriza setores como tecnologia da informação e automóveis, é um exemplo dessa estratégia. Além disso, a educação na China é voltada para as necessidades do mercado, formando mais de um milhão de engenheiros por ano. A transferência de tecnologia também foi incentivada, especialmente em parcerias com empresas estrangeiras. O governo chinês utiliza normas regulatórias para favorecer marcas locais, como aconteceu nas Olimpíadas de 2008, quando uma nova regra beneficiou a empresa BYD, ajudando-a a se destacar no mercado de carros elétricos.
A China transformou sua imagem de produtora de itens de baixa qualidade para líder em inovação tecnológica. O país agora registra mais patentes que os Estados Unidos e se destaca em setores como veículos elétricos e inteligência artificial. Essa mudança é resultado de políticas estatais e um sistema educacional voltado para a inovação.
A professora Isabela Nogueira, do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), explica que a China começou sua trajetória industrial com a montagem de produtos para marcas ocidentais. Hoje, empresas como a BYD são reconhecidas globalmente, e a qualidade dos produtos chineses é amplamente aceita. Nogueira aponta cinco fatores que contribuíram para essa evolução: planejamento econômico centralizado, financiamentos de longo prazo, um sistema educacional alinhado, a presença do Estado nas empresas e a criação de normas técnicas que favorecem as companhias locais.
Fatores de Sucesso
Os planos plurianuais da China definem metas e prioridades para o desenvolvimento econômico. O Made in China 2025 é um exemplo, focando em dez setores-chave, como tecnologia da informação e biofarmacêuticos. Nogueira destaca que cerca de 30% dos investimentos em ativos fixos vêm de estatais, permitindo que essas empresas assumam riscos que o setor privado normalmente evita.
Além disso, a transferência de tecnologia foi facilitada por parcerias com empresas estrangeiras. Alexandre Uehara, da Escola de Relações Internacionais da ESPM, explica que, ao longo dos anos, as joint-ventures com estatais chinesas foram essenciais para o aprendizado tecnológico. A educação também desempenha um papel crucial, com mais de um milhão de engenheiros formados anualmente, alinhando currículos às demandas do mercado.
Regulação e Inovação
A regulação técnica é outra ferramenta importante na política industrial da China. Nogueira menciona que o governo frequentemente ajusta padrões regulatórios para proteger marcas nacionais. Um exemplo disso foi a norma introduzida durante as Olimpíadas de 2008, que favoreceu a BYD ao exigir critérios técnicos que apenas a empresa poderia atender.
Essas estratégias têm permitido à China não apenas se consolidar como um líder em inovação, mas também transformar a percepção global sobre seus produtos. A trajetória do país reflete um modelo de desenvolvimento que combina intervenção estatal com educação e inovação tecnológica.
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