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A alta do açaí em Belém afeta consumidores e produtores em meio à entressafra

A alta de 56% no preço do açaí em Belém gera crise entre consumidores e produtores, enquanto proposta de congelamento é vetada.

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O preço do açaí em Belém subiu 56% em quatro meses, afetando a alimentação dos moradores, que dependem da fruta. Esse aumento é causado pela entressafra, mudanças climáticas e maior demanda global. A qualidade do açaí também caiu, e muitos consumidores estão mudando seus hábitos, pedindo por misturas menos nutritivas para economizar. Pequenos produtores enfrentam dificuldades, com a produção diminuindo e a renda caindo. Além disso, uma proposta para permitir o congelamento do açaí foi vetada pelo governador do Pará, o que impede os batedores de armazenar o produto e estabilizar os preços. A situação é preocupante, pois muitos temem perder seus empregos para grandes indústrias que exportam a fruta.

O preço do açaí em Belém aumentou 56% nos últimos quatro meses, impactando a dieta dos moradores e a renda dos produtores. O aumento é atribuído à entressafra, mudanças climáticas e à crescente demanda global pela fruta. O litro do açaí tipo grosso, muito consumido na região, passou de R$ 35,67 para R$ 52,10.

Os batedores de açaí, como Paulo Tenório, relatam dificuldades. Tenório, que atua há 12 anos na extração da polpa, teve que fechar seu negócio temporariamente e agora trabalha como motorista de aplicativo. Ele afirma que sua renda caiu 40% e que muitos consumidores estão pedindo água residual do açaí para economizar.

A qualidade do açaí também tem diminuído. O produto que chega à capital é considerado “mais fino” e menos nutritivo. Além disso, a escassez de açaí fresco faz com que os moradores busquem alternativas, como o açaí refrigerado, que se tornou mais aceito nos últimos anos.

Mudanças Climáticas e Produção

Pesquisadores apontam que as mudanças climáticas, somadas ao fenômeno El Niño, têm afetado a produção do açaí. A seca prolongada nos últimos anos resultou em uma safra menor e em frutos de qualidade inferior. Marcos da Silva, agricultor da comunidade quilombola Itacoã Miri, observa que a produtividade caiu 40% em 15 anos.

A situação é complexa para pequenos produtores, que não têm acesso a tecnologias de irrigação. A falta de água e as chuvas excessivas dificultam a colheita, levando a uma escassez de açaí fresco em Belém. A produção do Pará, que representa 90% do açaí nacional, tem sido direcionada para exportação, deixando o mercado local em crise.

Proposta de Congelamento Vetada

Uma proposta para permitir o congelamento do açaí, visando regular o preço durante a entressafra, foi vetada pelo governador do Pará, Hélder Barbalho. O veto se baseou em pareceres técnicos que apontaram inconstitucionalidade e falta de critérios sanitários. A Assembleia Legislativa do Pará poderá decidir se derruba o veto.

Os batedores temem que a proibição do congelamento beneficie grandes indústrias, que já exportam açaí congelado. A situação atual gera incertezas para os pequenos produtores, que dependem da venda local da fruta.

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