O mercado de carbono está enfrentando uma crise de credibilidade que começou em 2021 e continua afetando a emissão de créditos. No primeiro trimestre de 2025, a emissão de novos créditos caiu 27% em relação ao ano anterior, passando de 85 milhões para 62 milhões. Essa queda é atribuída à desconfiança em relação aos créditos e à redução dos preços, que agora estão em torno de US$ 4,80, uma queda de 60% em comparação com os preços anteriores à crise. A Verra, principal certificadora de créditos de carbono, implementou uma nova metodologia de certificação, mas isso atrasou o lançamento de novos projetos. A demanda por créditos cresceu modestamente, de 55 milhões para 56 milhões, mas a taxa de crescimento foi menor do que em 2024. Apesar disso, o estoque total de créditos disponíveis aumentou 9%, embora a previsão seja de que esse crescimento diminua nos próximos anos. Especialistas acreditam que, se a emissão de créditos continuar a cair, os preços podem se recuperar, mas a situação atual é de incerteza, com a necessidade de um comprometimento maior das empresas e países em relação à redução de emissões.
O mercado global de carbono continua enfrentando uma crise de credibilidade, resultando em uma queda de 27% nas emissões de novos créditos no primeiro trimestre de 2025 em comparação ao mesmo período de 2024. O total de créditos emitidos caiu de 85 milhões para 62 milhões, conforme dados da Systemica, uma empresa especializada em projetos de carbono.
Rodrigo Matte, analista da Systemica, destaca que a crise reputacional impactou negativamente os preços dos créditos, que recuaram para uma média de R$ 4,80, uma redução de 60% em relação aos valores anteriores à crise, que giravam em torno de R$ 10 a R$ 12. A nova metodologia de certificação da Verra, principal certificadora de créditos de carbono, também contribuiu para a diminuição das emissões, pois o processo se tornou mais rigoroso.
A crise teve início em janeiro de 2023, quando uma reportagem revelou que muitos créditos reconhecidos pela Verra não estavam compensando as emissões adequadamente. O estudo indicou que apenas oito dos 29 projetos analisados apresentavam evidências de redução significativa de desmatamento. Em resposta, a Verra anunciou uma nova metodologia de certificação, que, segundo Munir Soares, CEO da Systemica, pode ajudar a recuperar o mercado.
Apesar da queda nas emissões, a demanda por créditos cresceu modestamente, passando de 55 milhões para 56 milhões no primeiro trimestre de 2025, um aumento de 1,8%. No entanto, esse crescimento foi inferior ao de 2024, que foi de 12,2%. O estoque total de créditos disponíveis no mercado atingiu 1 bilhão, com uma expansão de 9% em relação ao ano anterior, mas a taxa de crescimento está diminuindo.
A Systemica projeta que, até 2029, a oferta de créditos poderá ser inferior à demanda, especialmente devido à nova metodologia da Verra, que pode reduzir as emissões de projetos em até 70%. Ronaldo Seroa da Motta, professor de economia da UERJ, acredita que o cenário de recuperação será turbulento, já que o estoque de créditos ainda é elevado e a demanda permanece fraca.
No primeiro trimestre de 2025, mais de 10 mil empresas participaram da Science Based Targets Initiative (SBTi), mas o crescimento de novos participantes caiu 29% em relação ao ano anterior. Matte observa que, apesar do crescimento modesto da demanda, há uma maior procura por créditos mais recentes, considerados mais confiáveis. Créditos de alta integridade estão sendo negociados com prêmios de até 52%, embora representem menos de 15% da oferta total.
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