Durante um seminário sobre clima e negócios, especialistas falaram sobre a importância de melhorar a infraestrutura e simplificar os impostos para ajudar o Brasil a crescer na produção de biocombustíveis e hidrogênio verde. O evento teve a presença de líderes do setor, que destacaram que o Brasil tem uma matriz elétrica limpa e muitos recursos naturais, mas precisa de um sistema tributário mais favorável e de melhores condições de infraestrutura. Um representante do BNDES mencionou que os custos para a transição energética no Brasil são mais baixos do que em outros países. A Vale, uma grande empresa, está focando em usar etanol e biodiesel, mas enfrenta desafios com as emissões dos navios que transportam minério. A demanda global por minerais deve aumentar, e a descarbonização das cadeias de valor é essencial. A nova Lei do Combustível do Futuro já permite mais etanol e biometano nos combustíveis, e o hidrogênio verde é visto como uma alternativa promissora. Um representante do Ministério da Fazenda falou sobre a reforma tributária que foi aprovada, que deve ajudar a acelerar a transição energética e mencionou um projeto de lei que oferece incentivos para a produção de hidrogênio verde. Ele também ressaltou a necessidade de modernizar as linhas de transmissão e reformar o setor elétrico para que o Brasil possa aproveitar melhor seu potencial energético.
Durante o seminário “Agenda climática e oportunidades de negócios”, realizado no auditório da Folha, especialistas enfatizaram a necessidade de modernização da infraestrutura e simplificação tributária para alavancar o potencial do Brasil em biocombustíveis e hidrogênio verde. O evento, mediado por Fernando Canzian, contou com a participação de líderes do setor, incluindo Luciana Costa, do BNDES, e Gustavo Pimenta, presidente da Vale.
O Brasil possui vantagens comparativas significativas para a descarbonização, como uma matriz elétrica limpa e abundância de recursos naturais. No entanto, essas vantagens não se traduzem em competitividade sem um ambiente tributário mais favorável e infraestrutura adequada. Costa destacou que os custos de transição energética no Brasil são mais baixos em comparação a países com matrizes energéticas menos limpas.
Pimenta relatou os esforços da Vale na descarbonização, priorizando etanol e biodiesel em suas operações. Contudo, o desafio maior reside na redução das emissões dos navios que transportam minério. Ele mencionou a possibilidade de utilizar metanol, produzido a partir de fontes vegetais, como alternativa ao diesel.
Oportunidades em Biocombustíveis
A demanda global por minerais críticos, como níquel e cobre, deve dobrar até 2040, conforme a Agência Internacional de Energia. Maria Netto, do Instituto Clima e Sociedade, ressaltou a importância de descarbonizar não apenas empresas, mas também cadeias de valor. Ela apontou que o transporte, majoritariamente rodoviário, é responsável por uma parte significativa das emissões brasileiras.
A Lei do Combustível do Futuro, sancionada no ano passado, já prevê maior participação de etanol e biometano nas misturas de combustíveis. O hidrogênio verde também foi abordado como uma alternativa viável, especialmente com a redução de custos de produção.
Reformas Necessárias
O subsecretário de Acompanhamento Econômico e Regulação do Ministério da Fazenda, Gustavo Henrique Ferreira, defendeu que a Reforma Tributária aprovada recentemente é um passo importante para acelerar a transição energética. Ele destacou que a reforma visa simplificar o sistema tributário, promovendo um ambiente mais favorável para investimentos.
Ferreira também mencionou um projeto de lei que destina R$ 18 bilhões em incentivos tributários para a produção de hidrogênio verde. A modernização das linhas de transmissão e a reforma do setor elétrico foram apontadas como essenciais para garantir que o Brasil aproveite seu potencial energético de forma eficaz.
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