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Mercado de carbono gera inflação, mas traz oportunidades para empresas não reguladas

Brasil avança na criação de um mercado regulado de carbono, mas desafios e incertezas sobre a inflação e a inclusão do agronegócio persistem.

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O Brasil está criando um mercado regulado de carbono para controlar as emissões de gases que causam o aquecimento global. O objetivo é reduzir a poluição e enfrentar as mudanças climáticas. Especialistas alertam que, embora a inflação possa aumentar com esse sistema, não agir pode resultar em custos ainda maiores devido a desastres naturais. Atualmente, o país tem um mercado voluntário, onde empresas compensam suas emissões, mas a nova lei exigirá que empresas que emitem mais de 25 mil toneladas de CO2 por ano se adaptem às novas regras. Os setores que mais poluem, como papel e celulose, óleo e gás, e siderurgia, serão os primeiros a se integrar ao mercado. No entanto, o agronegócio não será regulado de imediato por causa da complexidade do cálculo das emissões e pressões políticas. Mesmo assim, ele pode ajudar a reduzir a poluição de forma voluntária, investindo em práticas sustentáveis e na proteção de florestas, o que pode torná-los mais competitivos e preparados para enfrentar eventos climáticos extremos.

O Brasil está em processo de implementação de um mercado regulado de carbono, que estabelece limites de emissões de gases de efeito estufa (GEE) para diversos setores econômicos. O objetivo é promover a descarbonização e mitigar os impactos das mudanças climáticas. Especialistas discutem os possíveis efeitos inflacionários desse sistema, ressaltando que a inação pode resultar em custos ainda maiores devido a desastres climáticos.

Durante o seminário Agenda Climática e Oportunidades de Negócios, realizado pela Folha com apoio da Vale, especialistas abordaram os desafios do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE). O físico Shigueo Watanabe Junior, do Instituto ClimaInfo, afirmou que a inflação é inevitável, mas o custo da inação pode ser mais alto, refletindo em desastres naturais que afetam toda a população.

O mercado de carbono brasileiro ainda está em fase de regulamentação. Atualmente, o país opera apenas com um mercado voluntário, onde empresas buscam compensar suas emissões de poluentes. A nova legislação prevê que empresas que emitam mais de 25 mil toneladas de CO2 equivalente por ano deverão se adequar às cotas estabelecidas pelo Plano Nacional de Alocação.

Desafios e Oportunidades

Os setores que mais consomem combustíveis fósseis, como papel e celulose, óleo e gás, e siderurgia, devem ser os primeiros a se integrar ao mercado regulado. Laura Albuquerque, da plataforma Future Climate, destacou a necessidade de aumentar a participação de empresas no sistema, que atualmente conta com apenas 500 a 600 empresas relatando suas emissões, enquanto o mercado regulado deve envolver cerca de 5.000 empresas.

O agronegócio, por sua vez, não será regulado inicialmente devido à complexidade do cálculo das emissões e pressões políticas. Watanabe Junior enfatizou que o mercado de carbono não é uma solução universal e que é necessário promover alternativas, como financiamento para a modernização da frota de caminhões e práticas sustentáveis na pecuária.

Contribuições Voluntárias

Embora o agronegócio não esteja incluído no SBCE, ele pode contribuir para a descarbonização de forma voluntária. A proteção e restauração de florestas são atividades que podem gerar créditos de carbono, ajudando a evitar emissões e sequestrar CO2 da atmosfera. Os especialistas ressaltam que investimentos em práticas sustentáveis podem tornar os produtores mais competitivos e resilientes a fenômenos climáticos extremos.

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