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Mercado de carbono no Brasil pode gerar inflação, mas custo da inação é maior

Mercado de carbono no Brasil pode gerar inflação, mas especialistas alertam que o custo da inação é ainda maior. Agronegócio ficará de fora inicialmente.

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O Brasil está criando um mercado regulado de carbono, que estabelece limites para as emissões de gases que causam o aquecimento global. Especialistas alertam que isso pode aumentar a inflação, mas afirmam que o custo de não agir é ainda maior, pois pode resultar em desastres naturais. Atualmente, o país só tem um mercado voluntário, onde empresas compram créditos de carbono para compensar suas emissões. A nova regulamentação deve afetar setores que emitem mais de 25 mil toneladas de CO2 por ano, como papel, celulose, óleo, gás e siderurgia. O agronegócio não será regulado inicialmente, devido à complexidade de calcular suas emissões e à pressão política. Mesmo assim, esses setores podem participar voluntariamente da descarbonização, protegendo florestas e restaurando áreas degradadas, o que também pode aumentar sua competitividade no mercado.

O Brasil está em processo de implementação de um mercado regulado de carbono, que visa estabelecer limites de emissões de gases de efeito estufa (GEE) para diversos setores econômicos. Especialistas discutiram, em seminário realizado nesta quinta-feira (22), os potenciais impactos inflacionários desse sistema e a necessidade de regulamentação. O evento, promovido pela Folha com apoio da Vale, abordou os desafios do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE).

Os especialistas afirmaram que, embora o mercado de carbono possa gerar inflação, o custo da inação é ainda maior. O físico Shigueo Watanabe Junior, do Instituto ClimaInfo, destacou que desastres climáticos, como os que ocorreram no Rio Grande do Sul, têm um custo elevado para a sociedade. Ele afirmou: “O custo da ação vai para a inflação, e o empresário será o agente que vai provocar [repassando o aumento para o consumidor]”.

O mercado regulado ainda não está em funcionamento, e atualmente o Brasil opera apenas com um mercado voluntário, onde empresas compensam suas emissões comprando créditos de carbono. Caroline Prolo, da gestora de investimentos Fama re.capital, explicou que empresas que emitem mais de 25 mil toneladas de CO2 equivalente (tCO2e) por ano precisarão se adequar às cotas estabelecidas pelo Plano Nacional de Alocação.

Setores e Desafios

Os setores que devem ser inicialmente regulados incluem papel e celulose, óleo e gás, cimento, vidro, siderurgia e mineração. Laura Albuquerque, da plataforma Future Climate, ressaltou a necessidade de aumentar o número de empresas que reportam suas emissões, que atualmente gira em torno de 500 a 600, para cerca de 5 mil.

O agronegócio, por sua vez, não será regulado neste primeiro momento devido à complexidade do cálculo das emissões e à pressão política. Watanabe Junior comentou que o mercado de carbono não é uma solução universal e que a mudança de práticas, como a troca de veículos e a melhoria na pecuária, requer investimentos e incentivos adequados.

Apesar da exclusão do agronegócio, há oportunidades para que o setor contribua para a descarbonização de forma voluntária, como a proteção de florestas e a restauração de áreas degradadas. Essas ações podem gerar créditos de carbono e aumentar a competitividade dos produtores no comércio exterior, além de prepará-los para enfrentar fenômenos climáticos extremos.

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