Em março, o governo lançou um novo crédito consignado para trabalhadores com carteira assinada, prometendo juros mais baixos e acesso facilitado ao crédito. No entanto, dados de abril mostram que os juros do crédito consignado privado subiram para 59,1%, o maior nível desde 2011, e a inadimplência também aumentou, levantando preocupações sobre o perfil de crédito dos novos clientes. O governo esperava que os trabalhadores trocassem dívidas mais caras por esse novo empréstimo, mas a realidade foi diferente. As taxas de juros subiram rapidamente, e os bancos começaram a avaliar que os novos clientes tinham um perfil de crédito mais arriscado. Economistas e empresários estão preocupados com essa situação, especialmente em um momento em que o governo tenta estimular a economia enquanto o Banco Central busca controlar a inflação. A expectativa é que, quando o FGTS for usado como garantia para o novo crédito, as taxas possam cair, mas isso só deve acontecer em julho.
O governo brasileiro lançou, em março, um novo crédito consignado para trabalhadores com carteira assinada, prometendo redução de juros e maior acesso ao crédito. A novidade permite que os trabalhadores contratem empréstimos diretamente com os bancos, sem depender de grandes empregadores.
Entretanto, dados de abril revelaram que os juros do crédito consignado privado dispararam para 59,1%, o maior índice desde 2011. A taxa anual do consignado total, que inclui beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e servidores públicos, subiu de 26% para 27,2%. O saldo total do crédito consignado atingiu R$ 704 bilhões, refletindo a forte adesão à nova linha.
Além do aumento dos juros, a inadimplência também cresceu, levantando preocupações sobre o perfil de crédito dos novos clientes. O chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, indicou que os bancos podem ter avaliado que os novos clientes apresentam um perfil de endividamento pior em comparação aos já existentes.
Preocupações do Setor
Economistas expressam preocupação com o novo consignado privado, especialmente em um cenário de juros altos. A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) se reuniu com o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, para discutir mudanças no modelo, citando os altos juros e os riscos de endividamento da população.
Rocha afirmou que a tendência é que, com a utilização do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como garantia, as taxas de juros diminuam. O governo prevê a liberação dessa garantia para julho, mas a expectativa permanece incerta.
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