A recente discussão sobre a adoção do modelo de trabalho “996” na Europa, inspirado na cultura de trabalho intensa da China, gerou polêmica entre investidores e fundadores de startups. O modelo, que implica em trabalhar das 9h às 21h, seis dias por semana, foi defendido por alguns capitalistas de risco como uma forma de aumentar […]
A recente discussão sobre a adoção do modelo de trabalho “996” na Europa, inspirado na cultura de trabalho intensa da China, gerou polêmica entre investidores e fundadores de startups. O modelo, que implica em trabalhar das 9h às 21h, seis dias por semana, foi defendido por alguns capitalistas de risco como uma forma de aumentar a competitividade no cenário global.
Sebastian Becker, sócio-gerente da Redalpine, afirmou que a proposta do novo chanceler alemão, Friedrich Merz, de manter a jornada de 40 horas semanais, não é suficiente. Becker argumentou que, para competir com o Vale do Silício, onde semanas de 60 a 70 horas são comuns, a Europa precisa adotar uma cultura de trabalho mais intensa. Martin Mignot, da Index Ventures, também mencionou que o “996” se tornou uma norma em startups internacionais.
Por outro lado, fundadores e investidores europeus expressaram resistência a essa ideia. Suranga Chandratillake, da Balderton Capital, destacou que a visão de que a Europa está atrasada em relação aos EUA e à China é ultrapassada, citando o surgimento de empresas valiosas como Klarna e Revolut. Ele enfatizou que a inovação sustentável e o bem-estar dos funcionários são essenciais.
A pressão para adotar o “996” gerou reações negativas. Fundadores de startups argumentam que a glorificação da cultura de trabalho excessivo não é a solução. Nina Mohanty, da Bloom Money, apontou que a Revolut, que se aproximou dessa cultura, enfrentou altos índices de rotatividade e dificuldades regulatórias. No entanto, a Revolut defendeu sua abordagem como uma “cultura de alto desempenho”.
A discussão também revelou que a geração mais jovem prioriza o equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Jas Schembri-Stothart, fundadora da Luna, alertou que o “996” pode afastar talentos das startups europeias. Para muitos, o foco deve ser em obter mais recursos e financiamento, em vez de simplesmente aumentar as horas de trabalho.
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