A indústria de transformação no Brasil registrou uma queda de 1% no Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre de 2024, em comparação ao quarto trimestre de 2023. O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) aponta que os setores de alta tecnologia foram os mais afetados, refletindo a instabilidade econômica e os juros […]
A indústria de transformação no Brasil registrou uma queda de 1% no Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre de 2024, em comparação ao quarto trimestre de 2023. O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) aponta que os setores de alta tecnologia foram os mais afetados, refletindo a instabilidade econômica e os juros elevados.
Apesar de um crescimento de 3,8% em 2024, impulsionado por juros mais baixos e demanda crescente, a desaceleração no início do ano é preocupante. Economistas destacam que a combinação de juros altos e uma taxa de câmbio volátil, agravada pela política econômica e pela guerra comercial dos Estados Unidos, impacta negativamente a indústria.
Rafael Cagnin, diretor-executivo do Iedi, explica que os setores de alta intensidade tecnológica, como a fabricação de máquinas e produtos eletroeletrônicos, enfrentam desafios maiores devido ao custo elevado dos financiamentos. “São setores que investem mais em pesquisa e desenvolvimento e inovação, por isso são mais intensivos em tecnologia,” afirma Cagnin.
A Novus, fabricante de equipamentos eletrônicos, adiou investimentos em sua fábrica em Canoas, no Rio Grande do Sul, devido aos altos juros. O CEO da empresa, Marcos Dillenburg, ressalta que “alguns investimentos que iriam requerer financiamento simplesmente foram postergados.” A demanda por produtos duráveis, que geralmente são adquiridos a prazo, também foi afetada.
Os dados do Iedi mostram que, em comparação ao ano anterior, a indústria de transformação cresceu 2,5% no primeiro trimestre, abaixo do crescimento de 4,5% registrado no quarto trimestre de 2023. A desaceleração nos setores de alta tecnologia foi acentuada, passando de uma alta de 15% para apenas 1,9%.
Cagnin alerta que a falta de uma estratégia clara na política econômica e a descoordenação entre medidas do governo e a política de juros do Banco Central afetam o crescimento da indústria. Jonathas Goulart, economista-chefe da Firjan, complementa que “quando o governo pensa no curto prazo, aumenta o consumo, e o Banco Central, para reduzir esse consumo, aumenta a taxa de juros.”
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