Os preços internacionais do açúcar caíram para o menor nível em quatro anos devido à oferta excessiva da Tailândia. Na bolsa de Nova York, o açúcar demerara fechou a 16,13 centavos de dólar a libra-peso, com uma desvalorização de 15,63% em um ano, sendo 9,99% apenas no último mês. A queda do dólar também afetou os preços em reais, que já apresentavam uma desvalorização de 24% no ano. No Brasil, o custo de produção varia entre 15 e 16,50 centavos de dólar a libra-peso, o que mantém os produtores competitivos, enquanto usinas de outros países enfrentam dificuldades. Analistas acreditam que a pressão nos preços pode levar a uma redução na produção, e usinas podem optar por aumentar a produção de etanol em vez de açúcar. A situação é complicada pela expectativa de superávit global, com aumento da produção no Brasil e na Índia, que deve chegar a 42,4 milhões de toneladas na safra 2023/24, mesmo com uma moagem de cana reduzida. A consultoria Hedgepoint aponta que o comércio global de açúcar deve continuar superavitário, e a paridade de importação na China está em 16,2 centavos de dólar a libra-peso, o que pode indicar um “piso” no mercado.
Em um cenário de recuperação da produção global, a oferta excessiva de açúcar da Tailândia provocou uma queda acentuada nos preços internacionais, que atingiram o menor nível em quatro anos. Na sexta-feira, 13 de junho, os contratos de açúcar demerara na bolsa de Nova York fecharam a 16,13 centavos de dólar a libra-peso, refletindo uma desvalorização de 15,63% em um ano, com 9,99% dessa queda ocorrendo apenas no último mês.
A desvalorização é acentuada pela queda do dólar, resultando em uma remuneração ainda menor em reais. Até a primeira semana de junho, o preço médio do açúcar em reais apresentava uma desvalorização de 24% no ano. O custo de produção no Brasil varia entre 15 centavos e 16,50 centavos de dólar a libra-peso, colocando os produtores brasileiros em uma posição competitiva, enquanto usinas de outros países enfrentam prejuízos.
Expectativas do Mercado
Analistas como Arnaldo Corrêa, da Archer Consulting, indicam que essa pressão nos preços pode levar a uma redução na produção, sinalizando um possível “piso” no mercado. Usineiros, por sua vez, estão atentos, mas não alarmados. Gabriel Junqueira, CEO da Bioenergética Aroeira, observa que a safra está decepcionando em termos de produtividade e sacarose, o que pode impactar a oferta.
Se a tendência de queda nos preços persistir, algumas usinas, especialmente no Centro-Oeste, podem optar por aumentar a produção de etanol em vez de açúcar, limitando a oferta da commodity. A paralisia nas vendas domésticas é uma consequência imediata, já que as usinas não estão dispostas a negociar açúcar não hedgeado.
Fatores Globais
No cenário global, a Tailândia não é a única responsável pela queda nos preços. A expectativa de um superávit global, impulsionado pela produção crescente no Brasil e na Índia, também pesa. Investimentos de R$ 3,5 bilhões em novas capacidades no Brasil devem resultar em uma produção próxima do recorde de 42,4 milhões de toneladas na safra 2023/24, mesmo com uma previsão de moagem de cana reduzida.
Lívea Coda, da consultoria Hedgepoint, destaca que, mesmo com uma moagem de 600 milhões de toneladas, o fluxo comercial global de açúcar deve permanecer superavitário. O fator que pode indicar um “piso” no mercado é a paridade de importação na China, atualmente em 16,2 centavos de dólar a libra-peso.
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