A guerra entre Israel e Irã já está afetando o setor agrícola, especialmente os preços da ureia, um fertilizante importante. Desde o início dos ataques israelenses, o preço da ureia subiu quase 4%, chegando a US$ 399 por tonelada. O Irã, que é um dos maiores produtores de ureia, deve produzir 9 milhões de toneladas em 2024 e exportar metade disso, incluindo para o Brasil. O aumento nos preços começou após os bombardeios de 13 de junho, quando a ureia custava US$ 395 por tonelada. O Brasil importa toda a ureia que usa na agricultura e, em 2024, recebeu 1,6 milhão de toneladas do Irã, que é vital para o fornecimento de fertilizantes. Embora a produção no Irã não tenha sido diretamente afetada, algumas fábricas estão operando com menos capacidade. Isso gera incertezas que podem aumentar ainda mais os preços. Os agricultores brasileiros que não compraram ureia para a próxima safra enfrentam um cenário complicado, especialmente com o plantio da safra de verão começando em setembro. Além disso, há preocupações com atrasos nas entregas devido à logística marítima, e a alta do petróleo pode encarecer o transporte. O mercado de milho também está sendo observado, já que o Irã é um grande importador do produto brasileiro. Apesar das tensões, as exportações do Brasil para o Irã não devem ser afetadas enquanto os portos iranianos estiverem abertos, mas a capacidade de compra do Irã pode ser comprometida pela situação atual.
A escalada do conflito entre Israel e Irã já impacta o setor agrícola, especialmente os preços da ureia, um fertilizante essencial. Desde o início dos ataques israelenses, os preços da ureia aumentaram quase 4%, fechando a US$ 399 por tonelada, conforme dados do Valor Data. O Irã, um dos maiores produtores globais, deve produzir 9 milhões de toneladas em 2024, exportando metade desse volume, incluindo para o Brasil.
O aumento nos preços começou após os bombardeios de 13 de junho, quando a ureia alcançou US$ 395 por tonelada, uma alta de 2,66% em relação ao dia anterior. Antes do conflito, o mercado estava em baixa liquidez, aguardando um leilão indiano. A consultoria Argus observa que, com a escalada das tensões, o preço médio da ureia subiu para US$ 430 por tonelada CFR Brasil.
Impactos no Brasil
O Brasil, que importa 100% da ureia utilizada na agricultura, enfrenta riscos de aumento nos custos de produção. Em 2024, o Irã forneceu 1,6 milhão de toneladas das 8,3 milhões de toneladas importadas pelo país. O Oriente Médio é crucial para o escoamento de fertilizantes, concentrando rotas marítimas estratégicas.
Embora a infraestrutura de produção no Irã não tenha sido diretamente atingida, algumas unidades estão em operação reduzida como medida preventiva. As incertezas do conflito podem levar a uma retração no mercado físico, pressionando ainda mais os preços. Para os agricultores brasileiros que não adquiriram ureia para a safra 2025/26, o cenário é desfavorável, especialmente com o início do plantio da safra de verão em setembro.
Logística e Custos
Além do fornecimento, há preocupações com possíveis atrasos nas entregas de mercadorias já compradas, que dependem da logística marítima. A alta do petróleo pode encarecer os fretes, impactando também os custos rodoviários e de seguros. O analista Tomás Pernías, da StoneX, lembra que a cadeia de suprimentos de fertilizantes já enfrentou estresse em 2022, durante a guerra entre Rússia e Ucrânia, quando os preços da ureia chegaram a mais de US$ 1 mil por tonelada.
O mercado de milho também é monitorado, já que o Irã é um dos principais importadores do cereal brasileiro. Apesar das tensões, as exportações brasileiras não devem ser afetadas enquanto os portos iranianos estiverem abertos. O Brasil exportou 4,3 milhões de toneladas de milho para o Irã em 2024, um aumento em relação ao ano anterior. O consultor Vlamir Brandalizze destaca que, apesar da necessidade do Irã, a capacidade de compra pode ser comprometida pela situação atual.
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