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Agricultores gaúchos enfrentam dívidas e incertezas no campo

Agricultores do Rio Grande do Sul enfrentam dificuldades financeiras e emocionais um ano após a enchente de 2024, enquanto novas estiagens agravam a situação.

Anna Ortega (Foto: Reprodução)
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Um ano após a enchente que atingiu o Rio Grande do Sul em maio de 2024, os agricultores ainda enfrentam dificuldades financeiras e emocionais. A região, especialmente o Vale do Taquari, continua a se recuperar, mas novas estiagens complicam a situação. Gustavo Lorenzon, um suinocultor, disse que seu galpão, que abrigava 500 suínos, ainda está em ruínas e ele não pode se endividar mais. A tragédia afetou 206 mil propriedades, causando perdas enormes na agropecuária. Agricultores como Mauro Vieira Marques ainda esperam apoio público para reconstruir suas propriedades. A estiagem de 2025 levou muitos municípios a decretar emergência, e a alternância entre secas e enchentes se tornou comum. Especialistas criticam a falta de ação do governo, que criou um comitê para ajudar, mas as medidas ainda estão sendo planejadas. Embora o estado tenha recebido bilhões para reconstrução, muitos agricultores não conseguiram acessar esses recursos. Além das dificuldades financeiras, há uma necessidade crescente de apoio psicológico, já que muitos agricultores estão lidando com problemas de saúde mental após a tragédia.

Um ano após a enchente catastrófica que devastou o Rio Grande do Sul em maio de 2024, agricultores ainda enfrentam os impactos financeiros e emocionais da tragédia. A região, especialmente o Vale do Taquari, continua a lutar para se recuperar, enquanto novas estiagens complicam ainda mais a situação.

Gustavo Lorenzon, suinocultor em Encantado, relata que seu galpão, que abrigava 500 suínos, permanece em ruínas. “Uma reforma ia custar caro e achamos prudente aguardar. Não é hora de fazer mais uma dívida”, afirmou. A produção de Lorenzon caiu 30% devido à enchente, e ele agora enfrenta dificuldades para honrar suas obrigações financeiras.

A tragédia de 2024 foi a pior da história do estado, com 206 mil propriedades afetadas, segundo dados da Emater. A força das chuvas, exacerbada pelo fenômeno El Niño, causou perdas irreparáveis na agropecuária local. Agricultores traumatizados, como Roselei dos Santos Porto, relataram que a recuperação é lenta e cheia de desafios. “Estamos voltando aos pouquinhos”, disse Mauro Vieira Marques, que ainda aguarda apoio público para reconstruir sua propriedade.

Desafios Contínuos

Após a enchente, a estiagem de 2025 trouxe novos problemas, levando 60% dos municípios a decretar situação de emergência. A alternância entre secas e enchentes se tornou uma nova realidade para os agricultores gaúchos. A Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul estima que o setor perdeu mais de R$ 106 bilhões com a seca entre 2020 e 2024.

Especialistas afirmam que o governo estadual não tem tratado a questão com a seriedade necessária. “A partir de um certo momento, houve uma naturalização da hecatombe que sofremos”, comentou Sérgio Schneider, professor da UFRGS. A inação do governo é vista como um obstáculo para a implementação de políticas públicas eficazes.

O governo gaúcho anunciou a criação de um comitê de cientistas para assessorar a Secretaria de Reconstrução, mas as ações ainda estão em fase de elaboração. “Estamos lidando com uma emergência de forma muito lenta”, destacou Schneider. A necessidade de um novo modelo agrícola é urgente, considerando que a agropecuária é responsável por quase 74% das emissões de gases do efeito estufa no Brasil.

Apoio Necessário

Após a tragédia, o estado recebeu bilhões para reconstrução, mas a maior parte dos recursos foi destinada a emergências e infraestrutura. O governo federal também liberou R$ 6,5 bilhões para obras de adaptação climática, mas muitos agricultores ainda não acessaram essas políticas. “O maior problema do campo agora é financeiro”, afirmou Márcio Madalena, secretário adjunto da Secretaria Estadual de Agricultura.

Os agricultores expressam a necessidade de apoio psicológico, com muitos relatando problemas de saúde mental após a tragédia. “Estamos ainda muito abalados. Precisamos de toda ajuda possível”, disse Marcia Riva, produtora agroecológica. A recuperação do setor agrícola gaúcho continua em risco, enquanto os efeitos das mudanças climáticas se intensificam.

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