- Quase metade dos carros vendidos na China no ano passado foi elétrico.
- A BYD lidera o mercado global de veículos elétricos, após superar a Tesla, com grande impulso do mercado interno.
- O país adotou um plano de longo prazo para dominar a tecnologia, com subsídios e apoio estatal desde a década de 2010, impulsionando a indústria.
- China também domina as cadeias de suprimento de baterias e desenvolveu a maior rede de recarga do mundo, além de áreas de troca de baterias.
- Países estrangeiros discutem tarifas e competição, mas o Reino Unido continua aberto a modelos chineses; metade da história envolve ambições de exportação e competição global.
A China transformou o mercado de veículos elétricos (EVs) em uma realidade de massificação. No ano passado, quase metade das vendas de automóveis no país foi de EVs, impulsionadas por um ecossistema de indústrias, infraestrutura de recarga e políticas de apoio.
A pergunta é como isso aconteceu. O governo destinou subsídios, facilitou modelos de negócio e estabeleceu uma rede de fábricas, fornecedores e postos de carregamento que atende a mais de 1,4 bilhão de habitantes. O resultado é um parque automotivo dominado por EVs, com marcas nacionais na liderança.
A estratégia por trás da liderança
Wan Gang, ex-ministro responsável pela política de ciência e tecnologia, definiu o cambio de foco: de carros movidos a combustível fóssil para elétricos. A ideia era criar condições para competir com fabricantes europeus, norte-americanos e japoneses desde o início.
O investimento público começou a germinar de forma mais ampla na década passada, com subsídios a consumidores, montadoras e cadeias de fornecimento. Estima-se que, entre 2009 e 2023, o governo chinês tenha desembolsado cerca de 231 bilhões de dólares dedicados ao setor.
A China também consolidou cadeias de suprimentos críticas, especialmente na produção de baterias. Empresas como CATL, com atuação global, passaram a abastecer montadoras diversas, incluindo Tesla, VW e Ford, amplificando a presença chinesa no setor.
Expansão doméstica e internacional
A maior rede de recarga pública do mundo facilita a autonomia dos motoristas, conectando cidades e regiões com postos de atendimento. Analistas afirmam que, para fabricar baterias hoje, todos os caminhos passam pela China, o que fortalece o ecossistema local.
Empresas iniciantes do ramo veem o mercado interno como trampolim para competir internacionalmente. Executivos do setor ressaltam que o apoio governamental cria um ambiente de concorrência saudável, sem favorecimentos explícitos.
No público, o custo de registro de veículos pode ser elevado, mas muitos motoristas de EVs obtêm vantagens, como placas gratuitas em algumas regiões, reduzindo despesas de aquisição e circulação.
Dinâmica de consumo também favorece os EVs. Motoristas entrevistados destacam economia de combustível e menor impacto ambiental como razões para migrar do carro a gasolina para o elétrico. A mudança aparece como fenômeno social, não apenas econômico.
Futuro e preocupações
Mercados ocidentais discutem tarifas de importação sobre carros elétricos chineses, enquanto países fora da China buscam manter seus parques automotivos. O Reino Unido, por exemplo, não planeja impor taxação semelhante, atraindo fabricantes como XPeng e BYD.
Autoridades internacionais destacam o papel da transição para reduzir impactos climáticos. Organizações globais indicam que EVs são parte central de estratégias de descarbonização, com ganhos para mobilidade urbana e qualidade do ar.
Mesmo com benefícios, surgem debates sobre dependência tecnológica chinesa. Alguns analistas enfatizam a necessidade de salvaguardas de segurança de dados e de cadeias de suprimentos variadas para evitar riscos geopolíticos.
Entre na conversa da comunidade