A produção de trutas arco-íris na Turquia, chamada de “salmão turco”, cresceu muito, passando de 500 mil dólares em 2017 para 86 milhões de dólares em 2024, com 78 mil toneladas exportadas. A proibição da importação de salmão norueguês pela Rússia ajudou a aumentar a demanda pelo salmão turco, que tem 74,1% de suas exportações destinadas à Rússia, além de outros países como Vietnã e Japão. No entanto, a indústria enfrenta problemas, como uma alta taxa de mortalidade, com cerca de 70% dos peixes morrendo antes do tempo, e críticas sobre as práticas de criação. Os criadores usam lagos de represa para o crescimento inicial dos peixes, que são mais baratos que os noruegueses e considerados melhores em sabor. A expansão das fazendas de peixes no mar Negro gerou conflitos com pescadores locais, que reclamam que as gaiolas prejudicam a pesca. Além disso, há preocupações sobre a alimentação dos peixes e o uso de produtos químicos. Os produtores buscam certificações de práticas sustentáveis para acessar mercados europeus, mas especialistas alertam que isso não garante a sustentabilidade e a mortalidade dos peixes continua sendo um problema.
A produção de trutas arco-íris na Turquia, conhecida como “salmão turco”, teve um crescimento expressivo, saltando de US$ 500 mil em 2017 para US$ 86 milhões em 2024. Tayfun Denizer, diretor da Polifish, destaca que a demanda global por salmão impulsionou esse aumento, com 78 mil toneladas exportadas no último ano.
A proibição da importação de salmão norueguês pela Rússia, em resposta a sanções ocidentais, favoreceu o mercado turco. Cerca de 74,1% das exportações turcas foram destinadas à Rússia, com outros destinos como Vietnã e Japão. Denizer afirma que o sucesso do salmão turco se deve à experiência adquirida na criação de outras espécies, como robalo e dourada.
Desafios do Setor
Apesar do crescimento, a indústria enfrenta desafios significativos. Cerca de 70% dos salmões turcos morrem prematuramente, devido a doenças e práticas inadequadas de criação. Denizer admite uma taxa de mortalidade de 50% em sua empresa, enquanto a Akerko, concorrente, reporta menos de 5% no mar Negro.
Os criadores turcos utilizam lagos de represa para o crescimento inicial dos peixes, aproveitando a temperatura da água, que se mantém abaixo de 18 °C. Ismail Kobya, vice-diretor da Akerko, ressalta que o salmão turco é 15% a 20% mais barato que o norueguês e, segundo ele, superior em sabor e textura.
Conflitos com Pescadores Locais
A expansão das fazendas aquícolas no mar Negro gerou tensões com pescadores locais. Mustafa Kuru, presidente de um sindicato de pescadores, critica a instalação de gaiolas que, segundo ele, prejudicam a captura de peixes em áreas antes abundantes. A preocupação com a alimentação dos peixes e o uso de produtos químicos também é um ponto de discórdia.
A busca por certificações de práticas sustentáveis, como o selo ASC, tem sido uma estratégia dos produtores para acessar mercados europeus. Contudo, especialistas alertam que essas certificações não garantem a sustentabilidade, e a mortalidade elevada dos peixes continua a ser uma preocupação crescente.
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