O dólar subiu 0,45% após os ataques dos EUA ao Irã, refletindo uma busca por segurança em tempos de tensão. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar, mostrou valorização em relação a outras moedas, como o euro e a libra. Apesar disso, analistas acreditam que essa alta pode ser temporária devido a problemas estruturais da moeda americana, como o alto déficit fiscal e tensões comerciais. A possibilidade de retaliações do Irã, como o bloqueio do Estreito de Ormuz, onde passa uma parte significativa do petróleo mundial, também impacta a valorização do dólar. No entanto, alguns especialistas acham que um bloqueio total é improvável. Mesmo com a alta, os títulos do Tesouro americano não mostraram grande reação, e a crescente dívida dos EUA pode afetar a atratividade desses investimentos. Além disso, a expectativa de tarifas sobre produtos europeus e dados econômicos fracos sugerem que o dólar pode perder força quando a situação de “porto seguro” se dissipar.
O dólar registrou uma alta de 0,45% nesta segunda-feira, 23, após os ataques militares dos EUA ao Irã. O índice DXY, que avalia o desempenho da moeda americana frente a outras, refletiu essa valorização, especialmente em relação ao euro, libra esterlina e iene. A escalada das tensões no Oriente Médio fez com que investidores buscassem segurança em ativos tradicionais, como o dólar.
Analistas destacam que essa valorização pode ser temporária. Kirstine Kundby-Nielsen, estrategista de câmbio do Danske Bank, afirmou que a situação atual ativa mecanismos clássicos de busca por segurança, com o petróleo em alta e ações em queda. Contudo, fragilidades estruturais da moeda americana, como o elevado déficit fiscal e tensões comerciais com a Europa, podem limitar a força do dólar.
A preocupação com possíveis retaliações do Irã, incluindo o bloqueio do Estreito de Ormuz, onde transita cerca de 20% do petróleo global, também contribui para a valorização do dólar. Halima Croft, da RBC Capital, sugere que o Irã pode adotar estratégias assimétricas para aumentar os custos econômicos das ações dos EUA e de Israel. Por outro lado, Jordan Rochester, do Mizuho, acredita que um bloqueio total é improvável devido a pressões de aliados e ao cuidado dos EUA com a infraestrutura energética da região.
Expectativas Futuras
Apesar da alta recente, os títulos do Tesouro americano, considerados um porto seguro, mostraram reação fraca. Kundby-Nielsen observa que a crescente dívida dos EUA e o risco de novas tarifas afetam a atratividade dos Treasuries. O Bank of America aponta que a posição “vendida” em dólar é uma das mais comuns entre gestores globais, refletindo um ceticismo em relação à força da moeda.
Analistas da Macquarie indicam que, sem a guerra, o dólar estaria em trajetória de queda. Dados econômicos fracos e ameaças tarifárias contra a União Europeia criam um ambiente desafiador para a moeda americana. Com a trégua comercial prestes a expirar em 9 de julho e o governo Trump considerando tarifas de até 50% sobre produtos europeus, o cenário sugere que o dólar pode perder força assim que o efeito de “porto seguro” da guerra se dissipar.
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