O conflito entre Israel, Estados Unidos e Irã está causando tensões, mas, segundo Drausio Giacomelli, do Deutsche Bank, o impacto econômico é pequeno até agora. O preço do petróleo está em torno de 75 dólares por barril, o que não deve afetar muito a inflação ou a economia dos EUA. No entanto, Giacomelli avisa que a volatilidade no mercado vai continuar. Ele compara a situação atual a um terremoto, onde os choques geopolíticos demoram a se acalmar. A guerra comercial iniciada por Donald Trump ainda está em andamento, com negociações em curso. Giacomelli também menciona que estamos passando por uma reconfiguração geopolítica e fiscal, com países se alinhando mais claramente aos EUA ou se afastando. Ele observa que a dinâmica dos investimentos está mudando, com um aumento no prêmio de risco na curva de juros americana e a dívida pública dos EUA ultrapassando 100% do PIB. Para estabilizar essa dívida, será necessário um superávit de 1,5% do PIB, o que pode ser difícil para a sociedade. O presidente Trump está tentando aprovar um novo pacote de medidas que pode aumentar os gastos públicos. Giacomelli alerta que os governos devem se preparar para um cenário instável, onde a percepção de risco fiscal pode afetar os investidores, que estão realocando recursos para outras regiões, mas ainda evitam países considerados arriscados.
O conflito entre Israel, Estados Unidos e Irã tem gerado um cenário de tensões geopolíticas, mas, segundo Drausio Giacomelli, estrategista-chefe do Deutsche Bank, o impacto econômico até o momento é relativamente pequeno. Em entrevista à EXAME, Giacomelli destacou que o preço do petróleo se estabilizou em torno de US$ 75 por barril, o que não deve afetar significativamente a inflação ou a economia americana.
Apesar da situação atual, Giacomelli alerta que a volatilidade no mercado deve persistir. Ele compara o momento atual a um terremoto, onde os choques geopolíticos não se dissipam rapidamente. O especialista observa que a guerra comercial iniciada por Donald Trump ainda está em andamento, com negociações em curso entre os Estados Unidos e outros países.
Reconfiguração Geopolítica
Giacomelli enfatiza que estamos vivendo uma reconfiguração geopolítica e fiscal, semelhante às mudanças ocorridas após a Segunda Guerra Mundial. Ele observa que as linhas entre os países que se alinham aos Estados Unidos e aqueles que não o fazem estão se tornando mais nítidas. A utilização de políticas monetárias e econômicas para fins de segurança e geopolítica está se intensificando.
Além disso, o estrategista aponta uma mudança nas dinâmicas de investimento. Tradicionalmente, em crises, havia uma fuga para o dólar e títulos do Tesouro Americano. No entanto, essa tendência está mudando, com o prêmio de risco na curva de juros americana aumentando para 0,7% nos últimos cinco anos. A crescente dívida pública dos Estados Unidos, que ultrapassa 100% do PIB, é um fator crucial nessa mudança.
Desafios Fiscais
Giacomelli destaca que será necessário um superávit de 1,5% do PIB para estabilizar a dívida, o que representa um custo significativo para a sociedade. O presidente Trump está buscando a aprovação de um novo pacote de medidas que pode aumentar ainda mais os gastos públicos, com a expectativa de que a arrecadação com novas tarifas ajude a conter o déficit.
Os governos, segundo Giacomelli, devem estar preparados para um cenário turbulento, onde a percepção de risco fiscal pode afetar o interesse dos investidores. Ele observa uma realocação de recursos dos Estados Unidos para outras regiões, como a Europa e mercados emergentes, mas ressalta que países considerados de risco continuam a ser evitados pelos investidores.
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