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Exílio de milionários no Reino Unido gera novos desafios para o Partido Trabalhista

Reino Unido pode perder até 16.500 milionários em 2024 devido a novas regras fiscais, impactando a economia e o mercado imobiliário.

Cena de rua na Old Bond Street, Mayfair, Londres, Reino Unido. (Foto: Pawel Libera | The Image Bank | Getty Images)
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  • O Reino Unido enfrenta uma saída significativa de milionários devido a mudanças na legislação fiscal.
  • A abolição do status de ‘non-dom’ e a nova tributação sobre trusts offshore resultaram na saída de milhares de super-ricos.
  • Estima-se que até 16.500 milionários deixem o país em 2024, um aumento de 157% em relação ao ano anterior.
  • A atividade no mercado imobiliário de luxo em Londres caiu 36% em maio de 2024.
  • Países como Itália e Emirados Árabes Unidos estão se tornando destinos preferidos devido a regimes fiscais mais favoráveis.

O Reino Unido enfrenta uma significativa perda de milionários devido a mudanças recentes na legislação fiscal. A abolição do status de ‘non-dom’, que permitia que ricos pagassem impostos apenas sobre a renda local, e a nova tributação sobre trusts offshore resultaram na saída de milhares de super-ricos.

Desde a invasão da Ucrânia em 2022, quando muitos oligarcas russos deixaram o país, a situação se agravou. Em março de 2024, o então Chanceler do Tesouro, Jeremy Hunt, anunciou que o status de ‘non-dom’ seria abolido em abril de 2025, prevendo uma arrecadação adicional de £2,7 bilhões anuais. Contudo, a nova Chanceler, Rachel Reeves, decidiu eliminar a isenção de impostos sobre trusts offshore, o que expôs a riqueza global desses indivíduos a uma tributação de 40%.

Estudos indicam que o Reino Unido pode perder até 16.500 milionários em 2024, um aumento de 157% em relação ao ano anterior. A consultoria Henley & Partners e a New World Wealth afirmam que essa é a maior saída de indivíduos de alta renda desde que começaram a monitorar a migração de milionários. A atividade no mercado imobiliário de luxo em Londres também caiu, com uma redução de 36% nas transações em maio de 2024.

Entre os que deixaram o Reino Unido estão figuras proeminentes como Richard Gnodde, vice-presidente do Goldman Sachs, e Nassef Sawiris, o homem mais rico do Egito. Outros países, como Itália e Emirados Árabes Unidos, estão se tornando destinos preferidos para esses milionários, oferecendo regimes fiscais mais favoráveis.

A saída dos ricos não apenas impacta a arrecadação fiscal, mas também pode afetar setores como varejo, hospitalidade e serviços jurídicos, que dependem da presença desses indivíduos. A Office for Budget Responsibility ainda acredita que a nova política aumentará a arrecadação, mas especialistas alertam que a realidade pode ser bem diferente.

Para reverter essa tendência, o governo britânico pode considerar restaurar a isenção de impostos sobre trusts offshore. No entanto, essa decisão pode ser politicamente delicada, já que a tributação dos ricos é popular entre os eleitores do Partido Trabalhista. A urgência da situação exige uma resposta rápida, especialmente com o início do novo ano letivo se aproximando.

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