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Agronegócio registra safra recorde e aumento nas recuperações judiciais

Pedidos de recuperação judicial no agronegócio aumentam 58,4% em 2024, enquanto inadimplência atinge 3,04% no Banco do Brasil.

Soja sendo ensacada no Rio Grande do Sul; Estado sofre com condições climáticas adversas (Foto: Germano Rorato/Estadão)
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  • Os pedidos de recuperação judicial no agronegócio brasileiro aumentaram em cinquenta e oito vírgula quatro por cento em 2024, totalizando mil duzentos e setenta e dois pedidos.
  • A inadimplência no Banco do Brasil atingiu três vírgula quatro por cento no primeiro trimestre de 2024, em comparação a um vírgula nove por cento no ano anterior.
  • O número de pedidos de recuperação judicial de pessoas físicas subiu de cento e vinte e sete para quinhentos e sessenta e seis, um crescimento de trezentos e quarenta e cinco vírgula sete por cento.
  • Especialistas indicam que a endividamento dos produtores é resultado de investimentos realizados durante períodos de alta nas commodities, seguido pela queda nos preços, como a soja, que caiu de cento e oitenta e quatro vírgula quarenta reais em janeiro de 2022 para cento e vinte e oito vírgula trinta e dois reais em 2025.
  • A previsão de uma safra recorde de trezentos e trinta e seis vírgula um milhões de toneladas para 2025 pode melhorar a situação da inadimplência, exceto em regiões como o Rio Grande do Sul, que enfrenta dificuldades climáticas.

O agronegócio brasileiro enfrenta um cenário complexo, com um aumento de 58,4% nos pedidos de recuperação judicial em 2024, mesmo com a previsão de uma safra recorde de 336,1 milhões de toneladas para 2025. O setor, que já lidava com um crescimento da inadimplência no Banco do Brasil, agora vê a taxa atingir 3,04% no primeiro trimestre deste ano.

Os dados da Serasa Experian revelam que os pedidos de recuperação judicial no agro chegaram a 1.272 em 2024. O número de solicitações de pessoas físicas saltou de 127 para 566, um aumento de 345,7%. Apesar da expectativa positiva para a safra, a inadimplência no Banco do Brasil, principal financiador do setor, cresceu em relação ao ano anterior, quando estava em 1,9%.

Especialistas apontam que muitos produtores estão endividados devido a investimentos realizados em períodos de alta nas commodities. José Carlos Hausknecht, da MB Agro Consultoria, explica que a queda nos preços das commodities, como a soja, que passou de R$ 184,40 em janeiro de 2022 para R$ 128,32 em 2025, contribuiu para a situação. Além disso, a quebra de safra em 2023/2024, que foi 6,7% menor que a anterior, agravou a situação financeira dos agricultores.

A combinação de fatores climáticos adversos e a alta dos custos de insumos, impulsionada pela valorização do dólar e pelo aumento da Selic, que subiu de 10,50% para 14,75%, também impactou negativamente o setor. A receita agrícola, que foi de R$ 931 bilhões em 2022, caiu para R$ 887 bilhões em 2023 e R$ 881 bilhões em 2024, segundo Fábio Silveira, da Volt Partners.

Embora o cenário seja desafiador, Marcelo Pimenta, da Serasa Experian, ressalta que os números de recuperação judicial não devem gerar pânico, pois representam uma fração das transações de crédito no setor. Apenas 560 pedidos foram feitos em um total de 1,5 milhão de transações. Contudo, casos como o da Agrogalaxy, que entrou em recuperação judicial com dívidas de R$ 4,6 bilhões, chamam atenção para a fragilidade do setor.

A recuperação judicial, que se popularizou desde a entrada em vigor da lei em 2021, é vista por alguns produtores como uma solução rápida, mas pode trazer complicações. Pedro Fernandes, do Itaú BBA, alerta que o processo pode ser caro e limitar a flexibilidade operacional dos agricultores. A expectativa é que, com a previsão de uma safra recorde em 2025, a situação da inadimplência possa melhorar, exceto em regiões como o Rio Grande do Sul, que enfrenta dificuldades climáticas persistentes.

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