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Empresas brasileiras buscam recursos por meio de fusões e aquisições devido ao crédito caro

Empresas brasileiras intensificam fusões e aquisições, mas incertezas fiscais e juros altos podem desacelerar o ritmo nos próximos meses.

Empresas realizam mais fusões e aquisições como forma de captar recursos (Foto: Saulo Angelo/Thenews2/Folhapress)
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  • As fusões e aquisições no Brasil aumentaram 14,6% nos primeiros cinco meses de 2024, totalizando 596 negócios.
  • Os setores de tecnologia e entretenimento foram os mais ativos, com 157 e 28 transações, respectivamente.
  • Apesar do crescimento, a expectativa é de desaceleração devido a incertezas fiscais e juros altos.
  • Especialistas apontam que o alto custo do crédito e a estagnação do mercado de ofertas públicas iniciais (IPOs) tornam as fusões e aquisições uma alternativa viável.
  • A hesitação dos investidores é influenciada por fatores externos, como tensões geopolíticas e a guerra tarifária dos Estados Unidos.

As empresas brasileiras estão intensificando as fusões e aquisições como estratégia para captação de recursos em um cenário de crédito caro e elevado endividamento. Nos primeiros cinco meses de 2024, houve um crescimento de 14,6% nas transações, totalizando 596 negócios, conforme dados da PwC. Os setores de tecnologia e entretenimento lideram as operações, com 157 e 28 fusões e aquisições, respectivamente.

Esse aumento ocorre em um contexto global de queda nas fusões e aquisições, que recuaram 9% na primeira metade do ano em comparação com 2023. A PwC destaca que as incertezas fiscais e a alta taxa de juros têm levado investidores a pausar as análises detalhadas antes de fechar negócios.

Cenário de Incertezas

Leonardo Dell’Oso, sócio da PwC, explica que as dificuldades financeiras enfrentadas pelas empresas brasileiras têm impulsionado a busca por consolidações. O alto custo dos empréstimos e a estagnação do mercado de IPOs tornam as fusões e aquisições a alternativa mais viável para muitas delas. “Com os valuations mais baixos, as empresas tornam-se alvos mais fáceis para investidores,” afirma.

Rodrigo Guedes, sócio da KPMG, complementa que a necessidade de unir forças para se capitalizar é evidente. No entanto, a expectativa é de que esse movimento desacelere nos próximos meses devido a incertezas fiscais e à manutenção da taxa Selic em patamares elevados.

Hesitação no Mercado

Dell’Oso observa uma desaceleração do interesse dos investidores, que estão cautelosos em relação ao impacto prolongado dos juros altos na economia. A hesitação é acentuada por fatores externos, como a guerra tarifária dos Estados Unidos e tensões geopolíticas no Oriente Médio, que também têm afetado o apetite por investimentos no Brasil.

A combinação de empresas pode resultar em maior poder de mercado e acesso a novas tecnologias, mas as incertezas atuais fazem com que muitas empresas permaneçam em compasso de espera. “Vemos uma demora significativa na tomada de decisões,” conclui Guedes.

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