- A seca extrema de 2024 está afetando o cultivo de cacau na região do Xingu, no Pará, comprometendo tradições agrícolas.
- A situação crítica de escassez hídrica nos rios Xingu e Iriri alterou o calendário agrícola, dificultando a colheita.
- Historicamente, a estação chuvosa durava sete meses, mas agora a seca e o aumento das temperaturas, que superam 39°C, mudaram esse padrão.
- O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) prevê que até 2050, as áreas adequadas para o cultivo de cacau podem ser reduzidas em até 73%.
- Produtores estão buscando alternativas, como variedades de cacau mais resistentes e técnicas agroflorestais, para se adaptar às novas condições climáticas.
A seca extrema de 2024 está transformando o cultivo de cacau na região do Xingu, no Pará, ameaçando tradições agrícolas centenárias. Com a declaração de situação crítica de escassez hídrica nos rios Xingu e Iriri, os produtores enfrentam um novo calendário climático que impacta diretamente a produção. O que deveria ser um período de colheita abundante se tornou um desafio sem precedentes.
Historicamente, a região do Xingu contava com uma estação chuvosa de 7,2 meses, de outubro a maio, com pico de precipitação em março. Entretanto, a seca prolongada e o aumento das temperaturas, que agora frequentemente superam os 39°C, estão alterando esse padrão. Robson Brogni, da Ascurra, destaca que o cacaueiro é sensível às mudanças climáticas, e a alteração nas chuvas e temperaturas afeta diretamente a qualidade e a quantidade da produção.
Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) indicam que até 2050, as áreas adequadas para o cultivo de cacau podem ser reduzidas em até 73% devido às mudanças climáticas. Essa nova realidade força os agricultores a adaptarem suas práticas, com colheitas agora previstas de março a agosto, em vez do ciclo tradicional.
Impactos na Comunidade
Os efeitos da seca vão além da produção agrícola. Ribeirinhos na Reserva Extrativista Riozinho do Anfrísio relatam incêndios em áreas antes seguras e dificuldades de transporte devido à baixa dos rios. A produção de cacau na região representa 75,86% da produção paraense, que é responsável por mais da metade do cacau nacional. Em 2024, o Pará alcançou uma produtividade média de 946 kg por hectare, quase quatro vezes superior à da Bahia.
A situação no Xingu reflete um padrão global, onde o preço do cacau subiu 136% entre julho de 2022 e fevereiro de 2024, devido à escassez provocada por eventos climáticos extremos. A preservação da floresta se torna uma necessidade econômica, já que a destruição da vegetação pode afetar a precipitação em áreas distantes.
Estratégias de Adaptação
Diante desses desafios, os produtores estão buscando alternativas, como variedades de cacau mais resistentes e técnicas agroflorestais que ajudam a manter a umidade do solo. Robson Brogni enfatiza a importância da diversificação para garantir a sustentabilidade das famílias agricultoras. Organizações internacionais alertam que a adaptação às mudanças climáticas é um desafio urgente para o setor cacaueiro.
Para 2025, a expectativa é que o Brasil produza cerca de 300 mil toneladas de cacau, com a região Norte mantendo a liderança. Contudo, essa meta depende da capacidade dos produtores de se adaptarem às novas condições climáticas, tornando o Xingu um ponto crucial para o futuro da produção cacaueira no país.
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