- A Argentina registrou uma queda de dez por cento no turismo desde janeiro de 2024, com muitos argentinos viajando para o exterior.
- O secretário de Turismo, Daniel Scioli, esteve em São Paulo para promover pacotes de incentivos visando atrair turistas brasileiros.
- Mais de setecentos e cinquenta e dois mil argentinos viajaram para fora do país, sendo noventa e três por cento para o Brasil, um aumento de quase quarenta e nove por cento em relação ao ano anterior.
- A desvalorização do peso argentino inicialmente atraiu turistas, mas a desregulamentação econômica recente tornou o país “muito caro” para visitantes.
- Estima-se que cinco bilhões de dólares tenham sido gastos por argentinos no exterior no primeiro trimestre de 2024, resultando em um déficit turístico de três bilhões e quinhentos milhões de dólares.
O governo da Argentina, sob a liderança de Javier Milei, enfrenta um desafio significativo no setor de turismo. Desde janeiro de 2024, o país registrou uma queda de 10% no número de turistas, especialmente brasileiros, enquanto os argentinos estão viajando mais para o exterior, resultando em um déficit turístico alarmante.
O secretário de Turismo, Daniel Scioli, ex-vice-presidente, esteve em São Paulo para promover um pacote de incentivos que visa atrair turistas brasileiros durante o inverno. A estratégia é focar em um turismo “mais exigente”, em contraste com o perfil de turistas que costumavam cruzar a fronteira apenas para compras. Mais de 752 mil argentinos viajaram para o exterior, com 93% deles indo para o Brasil, um aumento de quase 49% em relação ao ano anterior.
A desvalorização do peso argentino havia inicialmente atraído turistas, mas a recente desregulamentação econômica de Milei mudou essa dinâmica. Em maio de 2024, apenas 315 mil turistas visitaram a Argentina, enquanto o número de argentinos viajando para fora do país atingiu um recorde de quase 7 milhões no primeiro semestre. O professor de economia da UBA, Fabio Rodriguez, explica que a Argentina se tornou “muito cara” para os turistas, tanto em dólares quanto em pesos.
Medidas do Governo
Para reverter essa tendência, o governo argentino está buscando atrair um perfil diferente de turista. Scioli destacou que o foco agora é em experiências mais sofisticadas, como gastronomia e atividades de inverno. Durante sua apresentação em São Paulo, ele anunciou promoções de passagens aéreas, como voos diretos de São Paulo a Buenos Aires por US$ 160.
Entretanto, o aumento nos preços dentro da Argentina tem afastado os turistas. Os custos de alimentação e hospedagem mais que dobraram em um ano, tornando o país menos acessível. Scioli está em diálogo com o setor privado para evitar preços abusivos, embora reconheça que a situação atual não é apenas uma questão de preços.
Fuga de Dólares
A fuga de dólares é outro problema crítico. Estima-se que US$ 5 bilhões tenham sido gastos por argentinos no exterior no primeiro trimestre de 2024, enquanto apenas US$ 1,5 bilhão entrou no país. Essa diferença de US$ 3,5 bilhões representa o maior déficit turístico em mais de 20 anos. Scioli minimiza o impacto dessa fuga, mas a situação desafia a estratégia de Milei de incentivar os argentinos a trazerem seus dólares de volta à economia.
O governo argentino está implementando medidas financeiras para facilitar o uso de dólares sem a necessidade de declaração de origem, mas muitos argentinos ainda preferem gastar seu dinheiro em destinos onde o custo de vida é mais baixo. A situação atual exige uma resposta rápida e eficaz para restaurar a confiança dos turistas e reverter a tendência de fuga de dólares.
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