- O Operador Nacional do Sistema (ONS) divulgou um relatório sobre a segurança energética do Brasil até 2029, alertando para a alta probabilidade de apagões e custos elevados.
- A dependência de hidrelétricas (UHEs) é considerada insustentável, com a capacidade de regularização atendendo a demanda por apenas cinco meses.
- A média dos reservatórios nos últimos 15 anos não ultrapassa setenta por cento, o que sugere uma regularização de apenas quatro meses em 2029.
- Em 2025, a demanda será de cento e sete gigawatts, enquanto as UHEs têm capacidade total de cento e um gigawatts, resultando em falta de potência ao anoitecer.
- O governo adiou leilões de reserva, aumentando a incerteza no setor elétrico, que precisa de flexibilidade para evitar uma crise no fornecimento de energia.
O Operador Nacional do Sistema (ONS) divulgou um relatório alarmante sobre a segurança energética do Brasil até 2029, destacando a alta probabilidade de apagões e custos elevados. O documento, parte do plano energético (PEN) para o ciclo 2025-2029, foi publicado no dia 8 e revela que a dependência de hidrelétricas (UHEs) é insustentável.
A análise aponta que, com a atual capacidade de regularização das UHEs, a demanda pode ser atendida por apenas 5,5 meses. Contudo, a média dos reservatórios nos últimos 15 anos não ultrapassa 70%, sugerindo uma regularização de apenas quatro meses em 2029. A crescente participação das fontes fotovoltaicas, que devem atingir 108 GW até 2029, complicará ainda mais o cenário. Durante os horários de pico, mais de 50% da demanda poderá ser suprida por energia solar, mas a transição para as UHEs será desafiadora.
Cenário Crítico
O ONS alerta que, em 2025, a demanda instantânea será de 107 GW, enquanto as UHEs têm uma capacidade total de 101 GW. Isso significa que, ao anoitecer, haverá uma falta de potência significativa. Em 2026, a situação se agrava, com a necessidade de acionar usinas térmicas (UTEs) desde janeiro e um possível déficit de 5 GW em setembro. O cenário se torna ainda mais sombrio se a estiagem persistir, resultando em um déficit de potência por seis meses.
A probabilidade de faltar energia em 2026 é de 12%, aumentando para 92% em 2029. Esses números indicam uma crise sem precedentes no setor elétrico, com a possibilidade de apagões recorrentes. O governo havia planejado um leilão de reserva para junho, mas o adiou indefinidamente, exacerbando a incerteza.
Necessidade de Flexibilidade
O ONS enfatiza que o sistema elétrico precisa de flexibilidade, que pode ser garantida por UTEs a gás natural e mais reservatórios. No entanto, a atual desorganização no setor elétrico, marcada por subsídios e falta de planejamento, resulta em uma matriz elétrica inflexível e incapaz de atender à demanda nos momentos críticos. A situação exige uma reavaliação urgente das políticas energéticas para evitar uma catástrofe no fornecimento de energia.
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