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EUA impõem tarifa de 17% sobre exportações de tomate do México

Tarifa de 17% sobre tomates mexicanos gera incertezas para produtores e consumidores nos Estados Unidos, que dependem dessas importações.

Produtores de tomate em Azinyahualco, Guerrero. (Foto: Dassaev Téllez Adame/Cuartoscuro)
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  • Os Estados Unidos impuseram uma tarifa de 17% sobre as exportações de tomates mexicanos, a partir de 14 de julho.
  • A medida foi anunciada após o cancelamento de um acordo de 2019 que suspendia tarifas, afetando um mercado de 2,8 bilhões de dólares.
  • O secretário de Comércio, Howard Lutnick, afirmou que a tarifa foi reduzida de 20,91% para 17% para proteger os agricultores americanos.
  • A produção de tomates no México deve aumentar para 3,6 milhões de toneladas em 2024, mas a tarifa pode elevar os preços para os consumidores americanos.
  • A presidente do México, Claudia Sheinbaum, busca soluções para mitigar os impactos da tarifa e enfatiza a importância do comércio bilateral.

Os Estados Unidos anunciaram a imposição de uma tarifa de 17% sobre as exportações de tomates mexicanos, a partir de 14 de julho. Essa decisão ocorre após o cancelamento de um acordo de 2019 que suspendia tarifas sobre esses produtos, afetando um mercado avaliado em 2.800 milhões de dólares. O Departamento de Comércio dos EUA justificou a medida como uma forma de proteger os agricultores americanos de práticas comerciais desleais.

O secretário de Comércio, Howard Lutnick, afirmou que a tarifa, inicialmente prevista em 20,91%, foi ajustada para 17%. Essa mudança gera incertezas para os produtores mexicanos, que respondem por 90% das importações de tomates nos EUA. O ministro da Agricultura do México, Julio Berdegué, destacou que a produção nacional não é suficiente para atender à demanda americana, tornando difícil interromper as exportações.

Impactos no Setor Agrícola

A nova tarifa reativa uma antiga disputa comercial entre os produtores de tomate do México e da Flórida, que remonta a 1996. Os agricultores americanos frequentemente acusam seus homólogos mexicanos de praticar dumping. No entanto, os produtores mexicanos, como Enrique Riveros, afirmam que cumprem as normas estabelecidas e que a tarifa representa um peso adicional em um setor já pressionado por desafios como violência e clima adverso.

A consultoria Grupo Consultor de Mercados Agrícolas prevê que a produção de tomate no México deve alcançar 3,6 milhões de toneladas em 2024, um aumento de 1,1% em relação ao ano anterior. Contudo, a imposição da tarifa pode impactar tanto os consumidores americanos, que enfrentarão preços mais altos, quanto os trabalhadores mexicanos, especialmente em estados como Sinaloa, que é o principal exportador de tomates.

Reações e Negociações

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, se comprometeu a buscar soluções para mitigar os efeitos da nova tarifa. Em coletiva de imprensa, ela enfatizou a importância do comércio entre os dois países e a necessidade de um acordo que beneficie ambos os lados. O ex-presidente do Conselho Nacional Agropecuário, Juan Cortina Gallardo, acredita que a tarifa é motivada por pressões políticas e que os consumidores americanos serão os mais prejudicados.

Com a iminente aplicação da tarifa, o tempo é curto para que o governo mexicano consiga negociar um acordo que evite a imposição do imposto. A situação atual destaca a dependência do México do mercado americano, onde 80% de suas exportações são destinadas. A expectativa é que as negociações em Washington possam trazer um desfecho favorável para os produtores mexicanos e para o comércio bilateral.

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