- Mastercard afirma que stablecoins ainda estão longe de viabilizar pagamentos diários, ressaltando a necessidade de experiência do usuário, alcance e distribuição ampla.
- A empresa pode fornecer infraestrutura para uso em escala, usando atributos de rede como aceitação global, salvaguardas de segurança e conformidade regulatória.
- Parcerias existentes incluem Paxos Trust Company para cunhar e resgatar USDG, além de suporte a FIUSD, PYUSD e USDC.
- Cerca de 90% do volume de stablecoins está ligado ao comércio de criptomoedas, com investidores trocando tokens atrelados ao dólar.
- Obstáculos de adoção pelo consumidor e atrito no checkout online dificultam a viabilidade de pagamentos diários com stablecoins no curto prazo.
A Mastercard avalia o futuro das stablecoins como promissor, mas ainda longe de se tornar uma ferramenta viável para pagamentos diários. O discurso foi apresentado pelo diretor de produtos da empresa, Jorn Lambert, em uma reunião com analistas nesta segunda-feira (14). Segundo ele, atributos de uso prático não acompanham o entusiasmo em torno da tecnologia.
Lambert destacou que a tecnologia das stablecoins oferece velocidade, disponibilidade 24/7, baixo custo, programabilidade e imutabilidade, mas isso, por si só, não basta para transformar o ativo em meio de pagamento. Para ele, é crucial oferecer uma experiência de usuário fluida e ampla distribuição para consumidores.
A Mastercard vem se posicionando como ponte entre ativos digitais e o sistema financeiro tradicional. O executivo afirmou que a empresa pode fornecer infraestrutura para uso em escala, trazendo atributos de rede como aceitação global, salvaguardas de segurança e conformidade regulatória.
Estratégia e parcerias
A estratégia da Mastercard, que vem sendo desenvolvida há anos, já inclui iniciativas com stablecoins desde 2021. Em parceria com o Paxos Trust Company, a empresa ajuda instituições a cunhar e resgatar a stablecoin USDG. A Mastercard também dá suporte a FIUSD da Fiserv, PYUSD do PayPal e USDC da Circle, sinalizando interesse em atuar como infraestrutura de stablecoin.
Lambert observou que hoje cerca de 90% do volume de stablecoins está atrelado ao comércio de criptomoedas, com investidores usando tokens lastreados em dólar para compra e venda de ativos digitais. Ainda assim, obstáculos de adoção e fricção no checkout online dificultam a utilização cotidiana.
A proposta de valor para pagamentos entre consumidores e comerciantes ainda não está clara, segundo o executivo. Ele comparou a utilidade com a de um cartão pré-pago, com saldo armazenado em carteira e uso em pontos de venda específicos.
Cenário regulatório e perspectivas
As stablecoins ganham impulso à medida que a legislação nos EUA avança, atraindo novos participantes para o setor de ativos digitais. A clareza regulatória é vista como fator que pode incentivar instituições financeiras a avaliarem seu papel no ecossistema.
Lambert afirmou que as instituições avaliam estratégias para proteger depósitos, com dúvidas sobre manter saldos em stablecoins versus depósitos tradicionais. Diversos emissores estudam o tema para alinhamento com produtos de mercado.
Governos e bancos centrais também acompanham a evolução, buscando estimular inovações locais sem favorecer a dolarização. O executivo indicou que a multiplicidade de abordagens deve surgir com o tempo.
Entre na conversa da comunidade