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Brasil deve investir no solo urbano para impulsionar o avanço das ferrovias

Ministério dos Transportes busca revitalizar ferrovias para passageiros, integrando mobilidade urbana e valorização imobiliária.

Secretário-executivo do Ministério dos Transportes: 'temos avançado no transporte ferroviário de cargas, mas ainda engatinhamos no transporte ferroviário de passageiros' (Foto: Stephen Simpson/Getty Images)
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  • O Ministério dos Transportes realiza estudos para identificar trechos ferroviários no Brasil que possam ser utilizados para o transporte de passageiros.
  • Atualmente, o país possui apenas dois serviços regulares de passageiros, ambos em malhas de carga.
  • A proposta inclui a conexão de seis pares de cidades, com investimentos considerados viáveis.
  • O secretário-executivo do Ministério, George Santoro, destaca a importância de integrar o uso do solo urbano com a mobilidade ferroviária, propondo um modelo que vincule a valorização imobiliária ao financiamento da infraestrutura.
  • Experiências internacionais mostram que a valorização imobiliária pode financiar projetos de transporte, oferecendo um modelo a ser considerado no Brasil.

O Ministério dos Transportes está promovendo estudos para identificar trechos ferroviários que podem ser utilizados para o transporte de passageiros no Brasil. Atualmente, o país conta com apenas dois serviços regulares de passageiros, ambos operando em malhas de carga. A proposta inclui a conexão de seis pares de cidades, com investimentos considerados viáveis.

A infraestrutura ferroviária brasileira, predominantemente voltada para cargas, apresenta um grande potencial inexplorado para o transporte de passageiros. O secretário-executivo do Ministério, George Santoro, destaca a importância de integrar o uso do solo urbano com a mobilidade ferroviária. Para isso, é necessário um modelo de desenvolvimento que vincule a valorização imobiliária ao financiamento da infraestrutura.

Modelos Internacionais

Experiências internacionais, como a da MTR Corporation em Hong Kong, mostram como a concessão ferroviária pode ser ampliada para incluir direitos de desenvolvimento imobiliário em áreas próximas às estações. Nesse modelo, mais da metade da receita da MTR provém do setor imobiliário, demonstrando que o valor urbano gerado por ferrovias pode financiar a própria infraestrutura.

Cidades como Shenzhen e Copenhague também adotaram estratégias semelhantes, utilizando a valorização imobiliária para financiar projetos de transporte. No Brasil, há precedentes de exploração de receitas acessórias em concessões, como nos aeroportos de Jacarepaguá e Campo de Marte, que podem servir de referência para o desenvolvimento ferroviário.

Oportunidades de Investimento

A nova fase de concessões e autorizações ferroviárias no Brasil oferece uma oportunidade única para implementar um modelo que considere a captura de valor urbano. Santoro enfatiza que a ferrovia deve ser vista como um vetor de transformação urbana, com instrumentos regulatórios e parcerias que possibilitem a reinjeção de valor no sistema.

A mudança de paradigma é essencial para que o transporte ferroviário de passageiros se torne uma realidade no Brasil. A integração entre mobilidade e desenvolvimento urbano é fundamental para que os trilhos do futuro se tornem viáveis, permitindo que o país avance em sua infraestrutura e atenda às crescentes demandas logísticas.

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