- Donald Trump anunciou uma tarifa adicional de 50% sobre produtos brasileiros, afetando a Embraer.
- A medida entra em vigor em 1º de agosto e pode gerar custos extras de R$ 50 milhões por avião.
- O impacto total estimado para a Embraer em 2023 é de R$ 2 bilhões e R$ 20 bilhões até 2030.
- A dependência da Embraer do mercado americano, que representa 59% de suas receitas, aumenta os riscos.
- A empresa firmou um acordo com a Scandinavian Airlines para a venda de 45 jatos E195-E2, com entregas previstas para 2027.
Desde o anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a imposição de uma tarifa adicional de 50% sobre produtos brasileiros, a Embraer se tornou um dos principais focos de preocupação no setor aeronáutico. A medida, que entrará em vigor em 1º de agosto, pode impactar significativamente a fabricante, que realiza 45% de suas vendas de jatos comerciais e 70% de jatos executivos no mercado americano.
O CEO da Embraer, Francisco Gomes Neto, alertou que essa tarifa pode resultar em um custo adicional de R$ 50 milhões por aeronave, totalizando um impacto estimado de R$ 2 bilhões em 2023 e R$ 20 bilhões até 2030. Ele comparou o efeito das tarifas ao impacto da pandemia, mencionando possíveis cancelamentos de pedidos e ajustes no quadro de funcionários. Gomes Neto destacou que a Embraer sustenta quase 3 mil empregos nos EUA e que a nova taxação pode inviabilizar vendas.
Impacto no Mercado
A dependência da Embraer do mercado norte-americano, que representou 59% de suas receitas no primeiro trimestre de 2025, aumenta os riscos associados à nova tarifa. O presidente-executivo da empresa enfatizou que as companhias aéreas americanas, como SkyWest e American Airlines, que possuem pedidos firmes de mais de 160 unidades, podem enfrentar um aumento de até US$ 9 milhões por aeronave.
Analistas do setor apontam que, além do aumento nos preços, a proposta tarifária pode comprometer a aquisição de até US$ 20 bilhões em peças e equipamentos americanos pela Embraer nos próximos cinco anos. A indústria aeroespacial está preocupada com o retorno de barreiras comerciais, especialmente em um setor que, desde 1979, operou com isenções tarifárias.
Desafios e Oportunidades
Apesar das dificuldades, a Embraer continua a se destacar no mercado global de aviação. A empresa é a terceira maior fabricante de jatos comerciais do mundo e líder em aeronaves de até 150 assentos. Recentemente, anunciou um acordo com a Scandinavian Airlines (SAS) para a venda de 45 jatos E195-E2, com entregas previstas para 2027.
O economista Gustavo Cruz, da RB Investimentos, ressaltou que as tarifas podem prejudicar também as companhias aéreas americanas, que dependem das entregas da Embraer. Ele destacou que, devido à alta demanda, a fabricante brasileira pode se beneficiar da situação, já que a Boeing e a Airbus estão com suas linhas de produção ocupadas até 2030.
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